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Agricultura

Agricultura familiar dobra de tamanho em MS , diz IBGE

29 agosto 2011 - 11h15Por G1

A mentalidade do homem do campo está ficando cada vez mais moderna, e a agricultura familiar faz parte deste processo. Esse tipo de produção geralmente é realizado em pequenas propriedades, mas as capacidades de produções são grandes.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agricultura familiar está presente em 84% das propriedades brasileiras. Só em Mato Grosso do Sul, o número de pequenos agricultores saltou de 38 mil famílias no final da década de 1990 para 80 mil nos dias de hoje.

O produtor rural Wanderley Azambuja ensina ao filho plantar usando as forças dos braços. O trabalho foi aprendido com o pai e o perfil desse produtor representa a realidade das pequenas propriedades rurais. “Aqui é eu e meu filho, tem minha esposa também que me ajuda na colheita. Meus filhos cresceram trabalhando junto comigo”, conta Azambuja.

O agricultor conta que os mesmos produtos cultivados no passado, agora são plantados de um jeito diferente. “Naquela época a pessoa não se preocupava muito, ele plantava e se tivesse um inseto ele iria na casa de agropecuária comprava um produto químico e passava. Se a verdura não estivesse desenvolvendo, ele iria colocar um adubo químico para desenvolver rápido. Hoje a minha prática é totalmente diferente”, explica Azambuja.

A chácara possui um hectare e é mantida em família. Edson Fernandes, de 22 anos, é o braço direito do pai e investe na terra os projetos para construir o futuro. “Todo serviço é complicado, mas esse aqui exige um pouco mais de paciência. É um serviço chato, ninguém quer trabalhar sujo, mas é uma coisa diferente, eu gosto então tudo se torna mais fácil”, conta.

Entre os produtos cultivados na propriedade estão o alface, cenoura, beterraba e abóbora. Tudo é plantado de um modo simples e para evitar pragas o produtor revela. “Eu utilizo essa flor que serve para fazer quebra-vento para os canteiros, ela também elimina a tiririca, que é uma praga. Eu tinha muita tiririca nesta área e a flor eliminou. A formiga cabeçuda mora no meio da horta e poderia comer minhas verduras, mas ela não está porque eu plantei o guandu para alimentar elas e elas não mexerem na minha verdura. Assim eu consigo produzir no meio dos insetos.”

Toda a produção da família é vendida em uma feira de orgânicos na cidade. Um reservatório de água e a casa foram construídos com o dinheiro da produção. Novos investimentos já são pensados pela família para o futuro.

Apesar da evolução das técnicas de manejo, os pequenos produtores rurais ainda sofrem com os prejuízos causados pelas alterações do clima. Com o objetivo de amenizar os prejuízos, os agricultores investem em alternativas como o cultivo de ervas medicinais e plantas ornamentais.

Os agricultores familiares representam a grande maioria de produtores do Brasil, as pequenas propriedades somam cerca de 4 milhões por todo o país. Entre os resultados da agricultura familiar de todo a produção brasileira somam 70% de feijão, 31% de arroz, 84% de mandioca, 49% de milho e 40% de ovos produzidos pelos agricultores familiares.

Há dois anos, uma lei federal determina que pelo menos 30% da merenda das escolas públicas venha da economia familiar. Das 350 escolas estaduais do estado, 131 cumprem a medida. “A lei favorece muito a agricultura familiar, antes o produtor não tinha um mercado garantido, ele lutava contra os grandes produtores de hortaliças. Então de fevereiro a novembro o mercado está garantido, tem um intervalo em julho quando ele se prepara para agosto até novembro”, afirma Karla Betânia de Nadai, diretora de agronegócios da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Campo Grande.

E as crianças aprovam os alimentos. “Gostei da merenda, é muito boa principalmente pra gente aguentar estudar, são quatro horas e é muito bom”, afirma Vitor de Araújo, de nove anos.