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Agricultura

Agricultor pode ficar mais dependente de comercializadora

17 julho 2017 - 00h00Por Estadão

Apesar da perspectiva de reduzir o custo do frete dos grãos do cerrado pela metade, a Ferrogrão poderia criar um novo e grande problema para os produtores: uma espécie de “efeito JBS”. Do mesmo modo que os pecuaristas da região ficaram nas mãos de um único frigorífico, com a criação do “campeão nacional”, os agricultores acabariam ainda mais dependentes das tradings, que controlariam o novo modal de transporte.

“Uma ferrovia controlada por quem detém um monopólio de carga preocupa”, diz Luciene Machado, superintendente da área de saneamento e transportes do BNDES. “Mas, apesar de haver uma discussão importante sobre um operador ferroviário independente, num investimento desse porte, no qual é mandatório o uso de recursos privados, faz sentido que as tradings estejam inseridas (como controladoras).”

Para a executiva, porém, é preciso equilibrar os interesses e resolver possíveis conflitos para não condenar os produtores a ficar eternamente sem alternativa de transporte mais eficiente do que o rodoviário. “Eliminar a ferrovia seria um jogo de perde-perde”, diz ela. Tarcísio Freitas, secretário de Coordenação de Projetos da Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), concorda e afirma que a Ferrogrão interessa principalmente às tradings. Ele reconhece, no entanto, que os produtores também serão beneficiados. “Esse projeto é importante porque ajudaria a reduzir o gargalo logístico, uma questão crônica no Brasil.”