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Agricultura

AGCO inova com sistema de locação de máquinas agrícolas

03 novembro 2009 - 00h00Por Jornal do Comércio

Aluguel dá acesso à mecanização agrícola

A tendência de oportunizar aos agricultores o acesso a máquinas agrícolas ganhou mais um aliado: depois de receber uma mãozinha do governo, através de programas como o Mais Alimentos, que tornam mais viável a aquisição de tratores de baixa potência, eles poderão contar, em breve, com a possibilidade de alugar esses equipamentos. A primeira grande montadora a inovar nesse sentido é a AGCO, que em dezembro vai lançar essa modalidade de negócios por aqui, o AGCO Rental.

Através dele, os agricultores terão acesso facilitado às máquinas com tecnologia agregada, a exemplo do que acontece na Europa e nos Estado Unidos. No Brasil é crescente o interesse dos produtores pelo locação, um negócio que oferece uma série de vantagens, como aponta o vice-presidente financeiro da AGCO América do Sul, Julio Escossi. "Os agricultores que têm dificuldade de acesso a crédito, por exemplo, estão entre os mais beneficiados", acredita. A possibilidade de contar com máquinas sem precisar se endividar também é um bom motivo para aderir à modalidade, que pode ser contratada pelo período que o produtor desejar.

A iniciativa inédita permite ainda que os agricultores contem com toda a assistência em termos de treinamento e manutenção das máquinas. "Trata-se de um fator que reduz custos", afirma Escossi. O cliente que optar por essa modalidade terá sua necessidade atendida e a segurança de estar levando para sua propriedade um equipamento em ótimas condições de uso. A manutenção das máquinas da AGCO será feita por concessionárias autorizadas e o treinamento realizado por monitores da empresa, para que o agricultor possa tirar o máximo proveito durante as operações no campo.

O valor do aluguel oscila bastante, já que a variedade dos equipamentos que serão postos à locação será grande, mas alcança cerca de 6% do valor de uma máquina. Escossi não teme que a nova ferramenta substitua a intenção de compra. Pode, inclusive, aproximar produtores da tecnologia, levando-os a uma aquisição no futuro. A maioria dos agricultores que aluga tratores colheitadeiras tem utilizado as máquinas como complementares às já existentes, especialmente para períodos de janela de safra.

Sete concessionários em todo o País estão participando da fase-piloto, sendo quatro concessionários Massey Ferguson e três da marca Valtra. O programa visa a atender todo o tipo de cliente, com o foco especial em grandes produtores que mantêm culturas o ano todo ou duas safras por ano - caso dos segmentos cana-de-açúcar, grãos, silvicultura, café, entre outros.

Em dezembro, a AGCO irá oferecer o programa de aluguel a todos os concessionários sul-americanos das redes Massey Ferguson, Valtra e Challenger.
Locação auxilia no incremento da produtividade

Uma das maiores vantagens do aluguel de máquinas agrícolas é a possibilidade de aumentar a produtividade das lavouras. Quanto maior o número de tratores e colheitadeiras disponíveis para o trabalho no campo, mais recursos tecnológicos ao alcance dos produtores. "Com esse sistema é possível incrementar a fertilidade do solo e com isso aumentar a produtividade", afirma o professor do Departamento de Solos da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Carlos Ricardo Trein. O professor salienta que essa modalidade permite um manejo mais adequado, sem que isso implique aumento dos custos de produção.

Através do aluguel, abre-se também a possibilidade de que os agricultores tenham maior acesso às ferramentas da agricultura de precisão, muito pouco difundida no Rio Grande do Sul. "Com o uso de mapas de produtividade e da tecnologia GPS é possível avaliar de forma precisa as condições do solo e, com isso, chegar a diagnósticos corretos sobre determinadas áreas", explica Trein. Ações importantes para o sucesso das lavouras, como levantamento das condições físico-químicas do solo, aplicação de adubos com taxa variável melhoram, ao longo do tempo, o estado original da terra, refletindo em uma melhor capacidade produtiva e bom retorno na hora da colheita.

Para o professor da Ufrgs, a locação também é uma alternativa para quem não quer empatar capital e não precisa de muitas horas de uso das máquinas. No pacote da locação dos equipamentos costumam vir incluídas todas as orientações técnicas para operação das máquinas, diferencial muito importante, na opinião do professor, em função da falta de mão de obra qualificada para operar os equipamentos. "O problema é que o conhecimento tende sempre a ficar atrás das novas tecnologias, pois é mais fácil trabalhar com o que já está consolidado."

Ao fazer uma avaliação sobre as condições do maquinário agrícola gaúcho, Trein disse que ainda há muito que ser melhorado. "Dependemos de políticas agrícolas bem definidas que possam dar segurança para o produtor investir em renovação de frota", argumentou. O professor afirma que até o início dos anos 2000, havia um desgaste muito grande no parque de máquinas agrícolas, situação que foi amenizada por programas como o Moderfrota e o Mais Alimentos.
Nova ferramenta evita ociosidade dos equipamentos

Evitar que uma máquina agrícola fique a maior parte do tempo ociosa em um galpão é, na opinião do diretor da Comissão de Grãos da Farsul, Jorge Rodrigues, a grande vantagem do sistema de locação. Segundo ele, é uma boa iniciativa para evitar que os produtores façam altos investimentos em algo que fica parado à espera da próxima safra. "Dessa forma se faz uso da capacidade integral das máquinas, evitando a ociosidade", comenta. A facilidade de acesso a tecnologias de última geração também foi apontada como vantagem para quem opta pela locação de equipamentos agrícolas. "Os produtores têm acesso à tecnologia do momento, sem depender da compra." Rodrigues acredita que os maiores beneficiários do sistema de aluguel acabam sendo os agricultores familiares. Mesmo contando com a disponibilidade de programas governamentais, como é o caso do Mais Alimentos, esses produtores não conseguem acessar determinados níveis tecnológicos, em função do teto estabelecido pelos financiamentos, cerca de R$ 200 mil. "Abre-se aí uma porta para que os pequenos possam ter acesso a mais tecnologia, conferindo mais produtividade às lavouras", admite.

Mesmo com todas as vantagens, o aluguel de máquinas agrícolas ainda é pouco comum no País, tendo maior destaque na região Centro-Oeste. Rodrigues lembra de algumas iniciativas de empresas privadas e cooperativas que iniciaram o trabalho nessa modalidade. A alternativa do aluguel também veio a calhar, especialmente nesse momento pós-crise, quando o setor ainda se ressente dos efeitos das turbulências econômicas. Conforme dados da Anfavea de outubro, as vendas do setor no mercado interno caíram 6,4% no acumulado de janeiro a setembro, de 41 mil no mesmo período em 2008, para 38,3 mil unidades. No apanhado mês a mês, foram vendidas 5,4 mil unidades em setembro, que representaram um crescimento de 7,9% em relação ao mês anterior e praticamente igualaram o desempenho de setembro de 2008. A produção total de máquinas no intervalo de janeiro a setembro foi de 45,8 mil unidades, um decréscimo de 27,8% em relação ao mesmo período de 2008.