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Frialto paralisa abate e busca saída para crise

25 de maio de 2010

Com dificuldades de pagar pecuaristas, o frigorífico Frialto suspendeu os abates de bovinos em suas cinco unidades na sexta-feira e devolveu aos proprietários 3.700 animais que já estavam nos currais das plantas para abate. Há cerca de um mês, a companhia, que tem sede em Sinop (MT), negocia a venda de ativos para superar dificuldades decorrentes de um endividamento elevado e do crédito escasso.

De acordo com fontes de setor de carnes, o Frialto estava em negociações avançadas nesse sentido com a Marfrig Alimentos, mas, no fim da semana passada, divergências com um dos bancos credores do Frialto teriam emperrado a operação. Procurados ontem, os diretores do Frialto não responderam aos pedidos de entrevista. A Marfrig voltou a negar a operação por meio de sua assessoria, como já o fizera no fim de semana.

Conforme apurou o Valor com fontes dos setores de carnes e financeiro, a operação entre Frialto e Marfrig envolveria arrendamento com opção de compra, um modelo semelhante ao que a Marfrig fechou com o gaúcho Mercosul em 2009.

No ano passado, o Frialto contratou a Iposeira Partners para reestruturar sua dívida de R$ 360 milhões. Mas o frigorífico, que fatura cerca de R$ 1,2 bilhão por ano, continuava com dificuldade para obter novas linhas com bancos credores. Além do crédito restrito, diz uma fonte do setor financeiro, parte dos fornecedores de bovinos passou a exigir pagamento à vista - o que afetou o fluxo de caixa do Frialto -, depois do episódio do frigorífico Independência, que surpreendeu o mercado pedindo recuperação judicial em 2009.

O Frialto também investiu no aumento da capacidade de abate num período de escassez de bovinos no mercado. Hoje, tem capacidade instalada de 4.040 animais em cinco plantas - Sinop, Nova Canaã, Matupá, todas em Mato Grosso, Iguatemi (MS) e Ji-Paraná (RO). Duas novas plantas, uma em Tabaporã (MT) e outra em Itaberaí (GO), estão em construção, mas as obras tiveram de ser suspensas por conta das dificuldades financeiras.

Agora, a empresa avalia o tamanho do problema para saber se a recuperação judicial poderá ser evitada, afirmam fontes do setor.

 


Fonte: Valor Econômico, por Alda do Amaral Rocha.
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