As incertezas comerciais ocasionadas pelos conflitos no Oriente Médio ampliaram a percepção de risco entre os frigoríficos brasileiros, que demonstraram maior resistência em avançar nas negociações envolvendo lotes de boi gordo, relata a Agrifatto.
Diante da posição de cautela das indústrias, em algumas praças, as cotações da arroba recuaram nesta quinta-feira (5/3), segundo apuração da Agrifatto.
“Das 17 regiões monitoradas diariamente, 10 registraram desvalorização nos preços do boi gordo”, aponta a consultoria, citando as praças de SP, BA, GO, MG, MS, MT, PA, PR, SC e TO.
Nas regiões restantes (AC, AL, ES, MA, RJ, RO e RS), as cotações ficaram estáveis.
Com isso, pelo levantamento da Agrifatto, o boi gordo abatido em São Paulo agora é negociado por R$ 350/@, no prazo, um recuo de R$ 5/@ em relação ao preço do dia anterior.
“Diante da possibilidade de restrições operacionais ou fechamentos pontuais de portos na região, cresce a preocupação com eventuais impactos na logística de exportação”, alerta a Agrifatto.
Segundo a consultoria, o Oriente Médio exerce papel estratégico no comércio global de carne bovina, atuando tanto como importante mercado consumidor quanto como relevante entreposto logístico para a redistribuição do produto.
“Embora uma interrupção completa do fluxo de alimentos seja considerada improvável, há expectativa de aumento nos custos e de maior lentidão nas operações, ainda que existam rotas alternativas já utilizadas em episódios anteriores de instabilidade”, antecipa a consultoria.
De acordo com relatório diário da Scot Consultoria, que também acompanha de perto as movimentações nas principais praças brasileiras, as negociações no mercado do boi gordo estão mais lentas em relação aos últimos dias, mesmo em semana de pagamento de salários, que normalmente estimula o consumo interno de carne bovina no fim de semana e, consequentemente, a procura pela matéria-prima (boiada gorda).
“Com a escalada do conflito no Oriente Médio, surgiram receios em relação ao comércio internacional de carne bovina”, ressalta a Scot.
Com isso, continua a consultoria, parte da indústria frigorífica – especialmente exportadoras – optou por se retirar temporariamente das compras, aguardando maior clareza sobre os possíveis reflexos dos acontecimentos no mercado global.
“Os frigoríficos voltados ao mercado interno estão mais ativos, buscando compor escalas, apoiados pelo bom consumo doméstico, que tende a ganhar força com a passagem do quinto dia útil”, informa a Scot, referindo-se ao mercado paulista.
Segundo os dados da Scot, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 352/@ em São Paulo, enquanto o “boi-China”, a vaca gorda e a novilha terminada são negociados por R$ 355/@, R$ 325/@ e R$ 337/@, respectivamente (valores brutos, no prazo).
Na avaliação da Scot, os fundamentos do mercado permanecem os mesmos: oferta enxuta, escalas de abate curtas e a ponta vendedora firme em suas referências.
Futuros sobem
No mercado futuro, os contratos do boi gordo encerraram a quarta-feira (4/3) em alta, após dois dias consecutivos de forte queda na B3. O destaque ficou para o contrato com vencimento em maio/26, que fechou cotado a R$ 337,50/@, com valorização diária de 0,75%.




