O mercado brasileiro do boi gordo segue marcado por oferta contida de animais, escalas de abates curtas e um ambiente externo que recomenda cautela nas negociações, informam os analistas da Agrifatto.
Nesta segunda-feira (16/3), segundo apuração da consultoria, as cotações da arroba registraram estabilidade nas 17 praças monitoradas diariamente.
Com isso, de acordo com os números da Agrifatto, o boi gordo segue valendo R$ 350/@ em São Paulo (com pagamento a prazo), enquanto a média de preço nas outras 16 regiões acompanhadas pela consultoria permaneceu em R$ 328,80/@.
Pelos dados da Scot Consultoria, o boi gordo sem padrão-exportação está cotado em R$ 347/@ no mercado paulista, enquanto o “boi-China, a vaca gorda e a novilha terminada são negociados por R$ 350/@, R$ 322/@ e R$ 335/@, respectivamente (preços brutos, no prazo).
Na avaliação da Agrifatto, a queda de braço entre pecuaristas e frigoríficos continua acirrada. Do lado de dentro das porteiras, os produtores seguem segurando a boiada no pasto, à espera de melhores preços.
Por sua vez, os frigoríficos operam com escalas de abate relativamente curtas, em torno de 6 a 7 dias, na média nacional, reflexo da menor disponibilidade de gado pronto.
“Nesse ambiente, a pressão baixista exercida pelos compradores esbarra na postura mais firme dos pecuaristas, mantendo o mercado travado e a arroba sustentada”, ressalta a consultoria.
Além disso, o conflito no Oriente Médio ajuda a manter o mercado em compasso de espera.
“A instabilidade geopolítica eleva os riscos operacionais em rotas estratégicas de navegação, como no Estreito de Ormuz, podendo forçar desvios logísticos, alongar o tempo de transporte e encarecer o frete marítimo”, dizem os analistas da Agrifatto.
Ao mesmo tempo, continua a consultoria, movimentos bruscos no mercado de petróleo aumentam o risco de reajustes nos combustíveis, pressionando custos ao longo de toda a cadeia pecuária, do transporte interno às operações de exportação.
Novos rumores envolvendo a China
Segundo a Agrifatto, há rumores sobre possíveis mudanças na política de cotas de importação da China, principal destino da carne bovina brasileira.
“A especulação envolve a possibilidade de embarques do último trimestre de 2025 serem contabilizados dentro da cota de 2026, o que poderia alterar o ritmo das exportações e exigir ajustes nas estratégias comerciais dos exportadores brasileiros”, alerta a consultoria.






