A inadimplência foi recorde no crédito rural em 2025. Dados consolidados pelo Banco Central mostram que o índice fechou o ano passado em 6,5%, com aceleração em relação aos 2,3% de 2024 e aos 1,1% de dezembro de 2023. As informações estão nas Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas no fim de janeiro.
O cenário é mais complicado nas operações com taxas livres. Nesse recorte, a inadimplência encerrou 2025 a 12% entre as pessoas físicas, com um leve recuo ao pico de 12,3% registrado em novembro. Mesmo assim, o consolidado é recorde.
Em 2024, estava em 3,7% e em 2023, em 1,2%. Já nas operações de crédito com recursos direcionados do Plano Safra, aqueles oriundos das exigibilidades de aplicação de depósitos à vista e de poupança rural, nos termos do Manual de Crédito Rural, a inadimplência alcançou 2,6% entre produtores rurais pessoas físicas.
Um ano antes, o índice estava em 1,1%. Entre as pessoas jurídicas, o cenário é um pouco diferente. A inadimplência geral do crédito rural acessado por empresas do agro chegou a 0,6% em dezembro de 2025. Mesmo assim, representa um salto de 100% ante os 0,3% do ano anterior.
Em dezembro de 2023, o índice estava em 0,4% e em 2022, em 0,2%. A inadimplência das pessoas jurídicas do agro é mais alta nas operações a taxas de mercado. O índice encerrou 2025 em 0,7%, com recuo em relação ao máximo de 0,8% registado nos meses de agosto, setembro e outubro. Em 2022, o indicador estava em 0,1%. Em 2023 e 2024, ele saltou para 0,4%.
Já nas operações com taxas reguladas, das linhas de crédito rural com recursos direcionados, a inadimplência ficou em 0,4% ante 0,2% em 2024 e 0,5% em 2023. Nos financiamentos com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao setor agroindustrial, a inadimplência das pessoas jurídicas ficou em 0,2%, em linha com o histórico recente. Nas pessoas físicas, o índice saltou de 1,3%, em 2024, para 2,5% no encerramento de 2025.
Em outubro, o BNDES iniciou as contratações da linha para amortização e liquidação de dívidas rurais para agricultores afetados por adversidades climáticas. Até 23 de janeiro, a renegociação com recursos públicos havia alcançado R$ 6,3 bilhões. Também foram renegociados outros R$ 30,8 bilhões de operações com recursos livres das instituições financeiras. Os números ajudam a explicar a estabilização ou recuo do índice de inadimplência nos últimos meses de 2025.





