Trabalhadores da JBS no Colorado iniciaram uma greve na segunda-feira (16) devido a supostas práticas trabalhistas injustas em um dos principais frigoríficos de carne bovina dos Estados Unidos, no mais recente risco para o abastecimento de carne do país.
Cerca de 3.800 trabalhadores da unidade em Greeley começaram uma paralisação de duas semanas nesta manhã, de acordo com comunicado do sindicato United Food and Commercial Workers Local 7. Na semana passada, a entidade havia dado aviso prévio de sete dias para a greve após a falta de acordo nas negociações de um novo contrato com a maior produtora de carne do mundo.
A greve ocorre enquanto a indústria de processamento de carne enfrenta escassez de gado, com o menor rebanho dos EUA em décadas levando os preços da carne bovina nos supermercados a níveis recordes. A severa falta de animais está levando frigoríficos a reduzir operações. A Tyson Foods está fechando uma unidade de abate de gado em Nebraska e diminuindo atividades em uma instalação no Texas.
A Cargill informou no mês passado que fecharia uma fábrica de carne moída em Milwaukee, enquanto a JBS afirmou que encerraria as atividades de uma unidade de processamento de carne na Califórnia. As empresas frigoríficas também têm sido alvo de críticas de ambos os lados do espectro político, mesmo com seus negócios de carne bovina continuando a operar no prejuízo.
O governo Trump lançou uma investigação sobre fixação de preços, e um projeto de lei recente de senadores democratas pediu o desmembramento das empresas do setor de carnes. A paralisação em meio a um volume de abate já baixo deve elevar os preços da carne bovina, escreveu Chris Lehner, da ADM Investor Services, em nota na semana passada. “É provável que compradores de carne tenham aumentado a contratação antecipada de volumes, mas isso também limitará a quantidade de carne disponível no mercado diário”, afirmou.
Ainda assim, o impacto da greve pode ser limitado, já que a JBS afirmou que transferirá temporariamente a produção para outras unidades a fim de evitar interrupções no abastecimento de carne aos consumidores. Embora um porta-voz da JBS tenha preferido não divulgar a capacidade de processamento da unidade de Greeley, Ben DiConstanzo, analista sênior de pecuária da Walsh Trading, disse que ela pode ser a maior planta de processamento de gado pronto para abate nos EUA.
A instalação mantém parceria com mais de 175 produtores e paga US$ 3,1 bilhões por ano pela compra de animais, segundo o site da JBS. O sindicato decidiu iniciar a greve após meses de negociações sem acordo. Em comunicado, afirmou que a JBS se recusou a se reunir com os trabalhadores durante o fim de semana para evitar a paralisação e que a melhor proposta da empresa ainda não acompanha a alta do custo de vida e dos prêmios de seguro.
A JBS disse na semana passada que mantém sua proposta de contrato. Um porta-voz da empresa disse que sua oferta é “forte e competitiva” e está alinhada com um acordo nacional com a UFCW International que proporcionou “aumentos salariais significativos, uma aposentadoria segura e estabilidade financeira de longo prazo” para os funcionários.
Kim Cordova, presidente do sindicato, afirmou que os trabalhadores estão aderindo à paralisação mesmo com uma parcela significativa dos funcionários nos EUA sob o programa TPS (Temporary Protected Status), o que os deixa vulneráveis a mudanças nas políticas de imigração. O trabalho em frigoríficos é extenuante e depende fortemente de mão de obra imigrante. Nos primeiros dias da pandemia de Covid-19, mais de 45% da força de trabalho dos frigoríficos havia nascido no exterior, segundo o American Immigration Council.






