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Cai alavancagem das indústrias sucroalcooleiras

19 outubro 2010 - 00h00Por Valor Econômico

Levantamento do banco Itaú BBA mostra que a recuperação dos preços de açúcar e álcool, aliado ao pé no freio colocado pelas usinas em novos investimentos, está fazendo com que o setor sucroalcooleiro reduza fortemente sua alavancagem.

"Essa renovação maior vem para recuperar os últimos três anos de baixo investimento", diz Ismael Perina, da Organização dos Plantadores de Cana do Centro-Sul

Levantamento do banco Itaú BBA mostra que a recuperação dos preços de açúcar e álcool, aliado ao pé no freio colocado pelas usinas em novos investimentos, está fazendo com que o setor sucroalcooleiro reduza fortemente sua alavancagem. O banco fez um estudo minucioso da situação financeira de 66 grupos de usinas, que somam 450 milhões de toneladas de capacidade de moagem, e constatou que a maior parte está em condição de retomar investimentos.

"Desse total, 31 grupos, equivalentes a 65% dessa carteira em volume de Cana, está em condição de voltar a investir", diz Alexandre Figliolino, diretor do Itau BBA. Segundo ele, outros 16, com capacidade de processamento de 80 milhões de toneladas, estão ainda em fase de ajuste financeiro, ou seja, trabalhando para reduzir alavancagem, e os 19 restantes, com 78 milhões de toneladas, precisam fazer alguma operação estratégica para reduzir o endividamento.

Em 2008/09, o nível de endividamento médio das usinas no Centro-Sul estava em R$ 86,80 por tonelada de Cana. Esse valor estava previsto para encerrar 2009/10 em R$ 80 por tonelada, mas foi melhor do que se esperava, diz o diretor do Itau BBA, e vai fechar em R$ 75,21.

Ele acredita, portanto, que o movimento de consolidação vai continuar firme nos próximos anos e prevê, para até o fim do ano, o fechamento de duas ou três operações de fusões e aquisições relevantes. "A crise deixou marcas, mas os ativos estão com preços bons e a consolidação vai seguir adiante. A tendência é que os grupos consolidadores busquem ter mais de 30 milhões de toneladas de capacidade", disse Figliolino, durante a 10ª Conferência Anual da consultoria Datagro.

No evento, que segue até hoje, a Datagro revisou a moagem de Cana para o 2010/11 e anunciou a primeira previsão para a próxima temporada, a 2011/12 no Centro-Sul. Em vez das 578 milhões de toneladas previstas em setembro, a temporada atual deve ser 4 milhões de toneladas menor e fechar em 574,8 milhões de toneladas.

Para 2011, as previsões mais otimistas da Datagro chegam a uma variação positiva de, no máximo, 5%, o que significa 28 milhões de toneladas a mais de Cana. "Isso se o regime de chuvas for muito favorável, ou seja, regulares e bem distribuídas até abril", diz Plínio Nastari, presidente da Datagro. As estimativas mais pessimistas da Datagro, projetam queda de 5%, algo próximo de 546 milhões de toneladas.

Para o diretor-técnico da União da Indústria da Cana-de-açucar (Única), Antonio de Pádua Rodrigues, não existe "hipótese alguma" de aumento na produção do ano que vem. Entre as razões apresentadas está a maior renovação do canavial, da ordem de 18%, segundo a Datagro, enquanto a ideal é de 16,5%, o que vai reduzir a área de corte para 2011. "Essa renovação maior vem para recuperar os últimos três anos de baixo investimento", diz Ismael Perina, presidente da Organização dos Plantadores de Cana do Centro-Sul.

Pádua também argumenta que pode ser que no próximo ciclo haja maior incidência da doença ferrugem alaranjada que, por conta do tempo seco desta temporada, não se alastrou, cenário que pode se inverter se chover mais em 2011. "Em torno de 10% dos canaviais do Centro-Sul são de variedades suscetíveis à ferrugem e outros 18% têm variedade intermediária. Essa condição pode impactar a safra do ano que vem", pondera Pádua.

A consultoria FGAgro, de Ribeirão Preto, também fechou ontem a sua primeira estimativa para a safra 2011/12 e está no grupo das previsões mais pessimistas. Devido a alguns fatores, entre eles a decisão de renovação de muitas áreas afetadas pela falta de manutenção nos anos anteriores e expansão do canavial, a estimativa é de moagem em 2011/12 entre 530 milhões e 560 milhões de toneladas, o que significa, no melhor dos cenários, uma produção menor do que a da temporada atual.

Por causa dos preços sustentados do açúcar, a tendência para a próxima temporada é de um mix mais açucareiro, segundo Nastari. "O mundo terá no ano que vem um superávit de apenas 2,8 milhões de toneladas, quando teria que ter entre 4 milhões e 5 milhões para começar a pressionar os preços para baixo", diz Nastari.