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Analise do Cepea explica baixa do preço do boi em novembro

18 DEZ 2009 • POR Cepea • 00h00
Os preços do boi gordo recuaram em novembro, com o Indicador ESALQ/BM&FBovespa registrando o menor patamar desde dezembro de 2007, em termos nominais, de acordo com pesquisas do Cepea (Cento de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Para a carne, o valor foi o mais baixo desde maio de 2008. O curioso é atribuir esse nível de preços do mercado brasileiro, em pleno novembro, à oferta. O volume disponível ao mercado doméstico estaria maior mesmo com a redução dos abates neste ano. Segundo o IBGE, no primeiro semestre, o volume abatido foi 10,3% menor que em igual período de 2008. A explicação para o excedente interno vem mesmo do fraco desempenho das vendas para o exterior.
 
Em novembro, mais uma vez, as exportações tiveram fraco desempenho. No período, frigoríficos brasileiros exportaram 78,7 mil toneladas de carne in natura, 4,5% a menos que em outubro, segundo dados da Secex. Quanto aos preços, em moeda nacional, tiveram pequeno aumento de 2,8%, com a tonelada na média de R$ 6.201,00.
 
No acumulado do mês, o Indicador recuou 4,15%, fechando em R$ 72,04 no dia 30 de novembro. De modo geral, tanto compradores quanto vendedores se mostraram recuados no correr do período. Foram verificados, no entanto, movimentos distintos nos preços negociados, refletindo a necessidade de cada comprador e vendedor de cada região pesquisada pelo Cepea.
 
No correr de novembro, pecuaristas se mostraram frustrados com os patamares de preços. A pressão exercida, sobretudo, pelas escalas alongadas de frigoríficos levou muitos vendedores a aceitar os valores ofertados por compradores, ainda que considerassem as ofertas insatisfatórias. Segundo pesquisadores do Cepea, em alguns momentos, pecuaristas estiveram mais recuados, evitando novos negócios. Além de considerar os preços baixos, vendedores também se fundamentaram na valorização da carne com osso negociada no mercado atacadista da Grande São Paulo.
 
O desempenho do segmento atacadista pode ser considerado como razoável, tendo em vista o desaquecimento das exportações nos últimos meses e o conseqüente aumento do volume ofertado no mercado doméstico. Indicadores macroeconômicos sinalizam que a demanda interna estaria se mantendo firme – observem-se, por exemplo, os bons resultados da geração de empregos e da atividade industrial do País. Apesar disso, o consumo não estaria sendo suficiente para sustentar as cotações da carne – e do boi.
 
O período de vacinação também diminuiu o volume de negócios em novembro. Conforme calendário do Ministério da Agricultura, em novembro, deve ocorrer a última etapa da vacinação contra aftosa para bovinos e bubalinos com menos de dois anos nos seguintes estados: AC, AP, AM, BA, ES, GO, MA, MG, MT, MS, PA, PI, PR, RJ, RO, RS, SP, SE, TO e DF.
 
Neste ano, o governo brasileiro alterou o calendário de vacinação de modo a torná-lo mais adequado às condições dos animais em função do clima. Produtores gaúchos, por exemplo, devem ter uma etapa extra de vacinação em novembro neste ano de transição. A partir de 2010, no Rio Grande do Sul, a vacinação deve ocorrer em maio e novembro. Vale considerar, também que, em diversas regiões do País, pecuaristas têm intensificado ou postergado o período de vacinação devido ao clima adverso no correr deste ano.