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Real valorizado deve prejudicar exportações de carne em 2010

10 NOV 2009 • POR Priscila Machado - DCI. • 00h00

A margem dos frigoríficos brasileiros deve cair em 2010 com a valorização do real e a retração dos mercados dispostos a pagar mais caro pela carne. Atualmente, a cotação do boi gordo brasileiro, em dólares, só perde para a norte-americana. A mesma tendência começa ser seguida pelo mercado de aves e suínos. #Assim rentabilidade da indústria segue em queda e a meta de recuperação para o próximo ano já esbarra em obstáculos.

O pecuarista Flávio Telles de Menezes, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB) e atual membro do conselho, afirma que entre os produtos agrícolas brasileiros, a carne só não está sendo tão afetada pelo câmbio quanto a soja. "A negociação possível é tentar fazer o preço subir em dólar que é o que a indústria frigorífica está fazendo", disse.

A estratégia de avançar nos preços em dólar também pode atrapalhar as exportações brasileiras. Isso porque ao longo da crise financeira mundial, o Brasil viu seus principais mercados importadores - Rússia e União Europeia - se retraírem. Além da importante quantidade de carne comprada, esses mercados costumavam pagar mais caro pelo produto brasileiro.

De acordo com Alexandre Mendonça de Barros, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e sócio da MB Agro, os volumes exportados já estão em paridade com os do ano passado e podem ser considerados bons. No entanto, o padrão de remuneração da carne que está sendo vendida é baixo. "O Brasil assegurou mercados, mas cresceu em países pobres, que não estão dispostos a pagar um preço alto pela carne", avaliou Mendonça de Barros.

De acordo com o levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), pelo segundo ano consecutivo, a arroba do boi acumula queda em outubro - neste ano, o indicador recuou 5,6%. No encerramento do mês, esteve a R$ 75,16, o que significa retornar ao patamar nominal de fevereiro de 2008. O fechamento de outubro é 14,4% inferior ao de outubro do ano passado (em termos nominais).

Os pesquisadores da entidade avaliam ainda que nos últimos dias, a pressão exercida, sobretudo pelas escalas alongadas de frigoríficos, tem levado pecuaristas a aceitar os valores ofertados por compradores, ainda que considerem as ofertas insatisfatórias.