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Rio Brilhante já é 2º maior produtor de cana do país

19 OUT 2009 • POR Midiamax • 00h00

Estimulado pelo desenvolvimento do mercado nacional de carros bicombustíveis, o cultivo da cana-de-açúcar ganhou força em 2008 em Estados próximos a São Paulo, principal produtor do país. Segundo dados divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o crescimento foi maior principalmente nos Estados de Goiás e Mato Grosso do Sul, na região Centro-Oeste.

 

Enquanto em São Paulo a área destinada aos canaviais aumentou 16,8% no ano passado, em Mato Grosso do Sul o incremento foi de 31,8%, e, em Goiás, de 49,7%. Minas Gerais, na região Sudeste, teve alta de 22,84%.

 

Localizado no sudoeste de Mato Grosso do Sul, Rio Brilhante foi o município que mais se destacou, passando da 13ª colocação no ranking dos maiores produtores de cana para a 2ª posição, atrás apenas de Morro Agudo ( SP). Em relação a 2007, o crescimento da produção no local foi de 109,8%, e os 6,2 milhões de toneladas colhidos representaram 1% do total nacional. Uberaba, em Minas Gerais, foi outro destaque. Com uma produção 64,9% superior à de 2007, o município passou da 7ª para a 4ª posição. Os municípios que completam a lista dos dez maiores produtores de cana-de-açúcar são todos do Estado de São Paulo.

 

Preços acessíveis

Segundo o técnico da Coordenação de Agropecuária do IBGE, Carlos Alfredo Guedes, a expansão rumo ao Centro Oeste é motivada pela maior disponibilidade de terras, o que torna os preços mais acessíveis nessa região.

 

Ele destaca ainda que o avanço dos canaviais não é significativo na área do entorno do Pantanal, que o governo pretende proteger de novos projetos sucroalcooleiros com o plano de zoneamento enviado ao Congresso. Mesmo com a expansão rumo ao interior do país, porém, a liderança paulista no cultivo da cana segue absoluta - em 2008, o Estado respondeu por 59,8% da produção nacional. Em seguida vêm Paraná (7,9%) e Minas Gerais (7,4%).

 

Apesar de terem apresentado as maiores taxas de crescimento na área cultivada, Goiás e Mato Grosso do Sul ainda ocupam a quarta e a sexta posições, respondendo, respectivamente, por 5,1% e 3,3% do total produzido no país. Mas o avanço já se faz notar: em 2007, esses percentuais eram de 4,1% e 2,9%.

 

Queda no preço

A expansão da safra nacional, no entanto, não foi acompanhada por um crescimento similar no valor recebido pelos agricultores. Enquanto a produção subiu 17,3% em 2008, atingindo nível recorde, o valor recebido por ela aumentou apenas 2%.

 

A redução do preço recebido por tonelada foi influenciada pela grande quantidade de açúcar produzido na Índia e pela queda do preço do barril de petróleo, que, depois de chegar a US$ 147, fechou o ano em torno de US$ 40, tornando o álcool combustível menos atraente.

 

Segundo Guedes, porém, a conjuntura em 2009 está mais favorável para o produtor brasileiro que decidiu investir na cana. Além de uma redução na produção indiana de açúcar, a oferta interna sofreu redução e os preços já apresentaram alta.