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Preço do hortifruti aumenta 100% em Dourados

19 AGO 2011 • POR Dourados Agora • 12h29
Preço do chuchu e do pepino japonês está 100% mais caro - Hedio Fazan

O preço do hortifruti dispara no comércio em Dourados. A alta é resultado das últimas geadas que atingiram todo o Brasil, levando crise no campo, principalmente para produtores deste segmento. Nos últimos 30 dias, certos produtos tiveram alta de 100% nos preços. É o caso do pepino japonês. Em alguns mercados, o preço deste legume já é o mesmo do quilo da carne moída; cerca de R$ 6,90.

O quilo do chuchu, que saia em média por R$ 1,99 passou a custar quase R$ 4. O tomate pulou de R$ 1,20 para R$ 4 e agora reduziu para R$ 2,90 o quilo. O limão também teve acréscimo e dobrou de preço, passando a custar R$ 2,80. O aumento já era previsto pela Central de Abastecimento do Estado (Ceasa/MS) que em junho deste ano, logo após as geadas, constatou que a alta poderia passar de 70%.

De acordo com o empresário Edson Luiz Daniel Dutra, a alta influencia na compra. Segundo ele, enquanto os produtos estiverem mais caros, a saída será reduzir os estoques pela metade. Levando em conta todas as frutas e legumes comercializadas no supermercado dele, a alta da “feirinha” já atinge, em média, a casa dos 50%.

Nos últimos 30 dias o preço da carne também registrou alta, porém em menor proporção do que as hortaliças. Edson conta que já adquire o alimento com 10% de alta. O litro do leite pasteurizado também já está R$ 0,10 mais caro e o Longa Vida, R$ 0,05.

Para Edson, a alta é resultado da crise no campo provocada pelas geadas, frio intenso e chuvas e excessos. “Estes fatores contribuem para perdas significativas, tanto na pecuária como na agricultura. Com menos produção, os preços dos alimentos aumentam”, disse.

CAMPO

O produtor Darcy Pinto diz que por causa das geadas perdeu 50% de toda produção. No caso do pepino, o prejuízo foi de 100%. Ou seja, tudo o que havia plantado. Os cultivos de tomate e alface também foram prejudicados. “De 20 mil pés de alface, 14 mil foram sapecados com a geada. Os 6 mil restantes não cresceram e como ficaram menores tive que vender praticamente dois a preço de um para ter saída”, explica. Outro prejuízo foi o repolho, que não resistiu ao frio e seca dos últimos dias. “Metade do plantio está sendo jogado ao gado, porque o vegetal já se desenvolve estragado”, lamenta.

FEIRA

O presidente da Associação dos Feirantes de Dourados, Lindomar Lemes, diz que apesar da alta, os consumidores vão continuar comprando. “Eles vão adquirir os produtos, conforme a sua necessidade. Talvez em menor quantidade, mas não vão deixar de levar”, destaca.

Para ele, a alta também está relacionada aos prejuízos sofridos no norte e sul do Brasil, devido ao clima. “São destes lugares que chegam 90% dos legumes e frutas que comercializamos em Dourados”, explica. Segundo Lindomar, a maior preocupação está na previsão de que no ano que vem as frutas poderão ter aumentos exorbitantes, devido as perdas de 2011. “Até lá vamos negociando com os fornecedores em busca de preços mais acessíveis”, garante.

CONSUMO

A diferença nos preços já começa a ser sentida no bolso do consumidor, que está gastando mais para adquirir os produtos. É o caso da dona-de-casa Elaine Aguiar. Segundo ela, com alimentos a preços mais “salgados”, a saída é levar menor quantidade para não causar “rombos” no orçamento familiar. “Antes eu levava para casa uma infinidade de verduras, legumes e frutas, gastando cerca de R$ 15. Hoje é necessário desembolsar R$ 50 para adquirir a mesma quantidade. O tomate, e frutas como a pêra estão muito caros e aos poucos começam a ficar de fora da lista de compras”, diz.