EUA têm menor abate desde 1963
Carcaças mais pesadas amenizam a queda na produção, mas essa compensação perde força; cenário favorece exportadores brasileiros
O abate de bovinos nos Estados Unidos atingiu o menor volume para o período de janeiro a setembro desde 1963, ampliando a atenção sobre a necessidade americana de importar carne. Para o Brasil, o cenário representa uma oportunidade de abastecimento, mas o resultado dependerá da competitividade dos frigoríficos e dos preços negociados com os compradores.
Segundo dados do USDA, os americanos abateram 20,70 milhões de bovinos nos nove primeiros meses de 2026, queda de 7,2% sobre igual período de 2025. A produção de carne recuou menos: caiu 4,9%, para 8,35 milhões de toneladas, o menor volume para o intervalo desde 2015.
A diferença se explica pelas carcaças mais pesadas, que permitem obter mais carne por animal e compensam parte da redução no número de cabeças abatidas. O peso médio das carcaças no levantamento sob inspeção federal chegou a 406 quilos entre janeiro e setembro, aproximadamente 27 arrobas e 10 quilos acima do registrado um ano antes.
Segundo a Terra, trata-se de um recorde da série. Essa vantagem, porém, está diminuindo. Em março, as carcaças estavam 13,6 quilos mais pesadas do que no mesmo mês de 2025. Em setembro, a diferença caiu para apenas 4,5 quilos, a menor do ano.
Na prática, os frigoríficos americanos continuam obtendo mais carne por cabeça do que no ano passado, mas essa ajuda perdeu intensidade. Se o abate permanecer reduzido e a diferença de peso continuar encolhendo, haverá menos capacidade de compensar a falta de animais. A redução é mais intensa entre as fêmeas.
Nas unidades sob inspeção federal, o abate de novilhas caiu 11,4% no acumulado de janeiro a setembro, enquanto o de vacas de corte recuou 14%. Entre os bois, a queda foi de 5,4%. A participação das novilhas no abate chegou a 33,9% em agosto, a menor desde junho de 2020.
Em setembro, ficou em 34,7%. Para a Terra Investimentos, o movimento sinaliza retenção de fêmeas. Isso é compatível com a preservação de animais para reprodução, embora a queda nos abates, isoladamente, não confirme uma recomposição consolidada do rebanho.
O comportamento também varia entre os segmentos. Enquanto o abate de vacas de corte diminuiu, o de vacas leiteiras aumentou 3,9%, mostrando que as decisões de descarte não seguem a mesma direção em toda a pecuária americana.