MERCADO PECUÁRIO

Arroba do boi gordo: escalas não avançam e preços seguem em alta

Dificuldade da indústria para alongar as programações indica que o mercado continua vulnerável a novas valorizações, diz analista

23 OUT 2026 • POR Scot Consultoria | Abrafrigo • 10h47

O mercado físico do boi gordo manteve preços firmes, embora o movimento de alta apresente intensidades distintas entre as regiões produtoras. O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias destacou que, em São Paulo, a valorização perde tração após os avanços recentes, com maior acomodação das referências e resistência dos frigoríficos aos patamares mais elevados.

“Na Região Norte, por outro lado, a alta continua mais intensa, diante da oferta restrita e da necessidade das indústrias de recompor suas programações.” De acordo com ele, mesmo com o ritmo mais comedido em algumas praças, as escalas de abate não evoluem de maneira satisfatória e permanecem concentradas entre cinco e seis dias úteis na maior parte do país.

“A dificuldade para alongar as programações indica que o mercado continua vulnerável a novos episódios de alta, inclusive em São Paulo, especialmente se os pecuaristas mantiverem uma postura cautelosa nas negociações”, diz.

Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 384,40 — ontem: R$ 384,13. Goiás: R$ 370,11 — ontem: R$ 369,46. Minas Gerais: R$ 378,53 — ontem: R$ 375,29. Mato Grosso do Sul: R$ 379,43 — ontem: R$ 372,95. Mato Grosso: R$ 358,92 — ontem: R$ 357,09. O mercado atacadista de carne bovina opera com preços inalterados nesta quarta-feira. Segundo Iglesias, o ambiente oferece menos espaço para novos reajustes no curto prazo, diante do menor apelo ao consumo característico da segunda quinzena e da redução dos efeitos associados à entrada dos salários na economia.

“Além disso, a carne bovina continua enfrentando forte concorrência das proteínas substitutas, especialmente da carne de frango, que apresenta ampla vantagem de preço e tende a ocupar maior espaço nas decisões de compra dos consumidores”, pontua o analista. Quarto dianteiro: R$ 22,30 por quilo. Quarto traseiro: R$ 29,50 por quilo. Ponta de agulha: R$ 20,75 por quilo.