MERCADO PECUÁRIO

Mercado do boi gordo fecha a semana firme, mantendo a expectativa de mais valorizações

Ao longo da semana, os analistas da Agrifatto identificaram negócios pontuais a R$ 390/@ no mercado paulista, embora ainda sem volume suficiente para alterar a referência estadual

19 OUT 2026 • POR Portal DBO • 16h52

O mercado brasileiro do boi gordo encerrou a semana firme, com estabilidade nos preços da arroba nas principais praças do País, informam as consultorias que acompanham diariamente o setor pecuário.

Na avaliação de Felipe Fabbri, depois bater R$ 380-R$385/@ em São Paulo, a expectativa é de continuidade no movimento de alta da arroba nas próximas semanas, puxada sobretudo pela oferta restrita de animais terminados neste pico da entressafra.

“As escalas estão curtas, principalmente para os compradores que não possuem parceiros para a entrega de boiadas”, destaca Fabbri.

Segundo ele, no mercado interno, progressivos repasses ao longo da cadeia têm acontecido, o que tem, mesmo com alta no preço do boi gordo, ajudado a margem da indústria frigorífica, que está “em seu melhor momento dentro de 2026”.

Fabbri também aposta na força da demanda interna nesta reta final do ano.

“A competição com as bets deu trégua momentânea, o fundo eleitoral segue em cena e a renda per capita ainda mantém o poderio de compra favorável, mesmo para uma segunda quinzena do mês”, destaca o analista.

Na avaliação da equipe de analistas da Agrifatto, a baixa oferta de animais gordos e a necessidade de alongar as escalas de abate seguem sustentando as cotações da arroba nas principais regiões do País.

“A dificuldade de adquirir boiadas para entrega imediata mantém as propostas dos frigoríficos em patamares elevados, que buscam recompor as programações de abate, que, na média nacional, não ultrapassam seis dias úteis”, relata a Agrifatto.

Ao longo desta semana, os analistas da consultoria identificaram negócios pontuais a R$ 390/@ no mercado paulista, embora ainda sem volume suficiente para alterar a referência estadual.

“Os valores variam conforme a categoria dos animais e as condições comerciais, enquanto as indústrias procuram limitar novos reajustes diante da resistência aos preços da carne”, observa a consultoria.

Avanços no mercado futuro
Na B3, os contratos futuros do boi gordo fecharam o pregão de quinta-feira (15/10) em alta, com destaque foi o vencimento de novembro/26, que encerrou a R$ 396,60/@, com valorização de 0,46% em relação ao fechamento anterior.

Segundo observa a Agrifatto, os contratos futuros de novembro/26 e dezembro/26 permanecem acima da referência física (indicador Datagro), sinalizando expectativa de preços firmes no último bimestre do ano.

Exportações continuam perdendo força
A exportação segue como “ponto negativo” para o setor. Até a segunda semana de outubro/26, o Brasil exportou 61,3 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 8,8 mil toneladas, volume 39,9% menor do que o de outubro de 2025, quando a média era de 14,6 mil toneladas diárias.

No entanto, ressalta Fabbri, os compradores já indicam a busca de lotes visando atender os pedidos para a cota chinesa de 2027, enquanto os Estados Unidos seguem elevando as aquisições de carne bovina brasileira.