MEIO AMBIENTE

Estudo mapeia áreas no Brasil mais vulneráveis à poluição difusa produzida no campo

As principais fontes de poluição difusa da água estão no meio rural e provêm de práticas não sustentáveis na agropecuária

14 OUT 2026 • POR Embrapa Meio Ambiente • 14h00

Um estudo realizado por pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (SP) e da Embrapa Solos (RJ) mapeou e classificou os municípios brasileiros mais suscetíveis à poluição difusa proveniente das atividades agropecuárias. O objetivo foi identificar as áreas rurais que demandam maior atenção quanto ao monitoramento da qualidade da água. As análises também levaram em consideração a vulnerabilidade de fontes hídricas em relação às mudanças climáticas. 

O trabalho, conduzido por Rachel Prado, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, compila indicadores relacionados às principais fontes de poluição difusa da agropecuária, com ênfase na contaminação por nitrogênio (N) e fósforo (P).  

O pesquisador da Embrapa Solos Alexandre Ortega explica que a poluição dos cursos d'água ocorre por duas principais vias: fontes pontuais e fontes difusas. As fontes pontuais, como esgotos urbanos e efluentes industriais, são relativamente fáceis de identificar e controlar. “Já as fontes difusas apresentam comportamento muito mais complexo. Elas resultam do escoamento superficial das águas da chuva, que transportam resíduos provenientes das áreas rurais, como fertilizantes, defensivos agrícolas, sedimentos e nutrientes, até rios, córregos e reservatórios”, esclarece Ortega. 

O trabalho tem como base cinco indicadores de fontes de poluição difusa da agropecuária: entrega de fertilizantes por cultura (nitrogênio, potássio e fósforo), número de cabeças animais, área com fertirrigação da cana-de-açúcar, balanço hídrico quantitativo por microbacias e erodibilidade do solo à erosão hídrica.

O monitoramento da qualidade da água no Brasil concentra-se historicamente nas áreas urbanas; assim, prioriza o controle da poluição pontual oriunda de esgotos, considerando seus impactos sobre a saúde pública. Ampliar esse monitoramento para as áreas rurais é fundamental para garantir a segurança hídrica e preservar os ecossistemas aquáticos. Nesse sentido, o mapeamento resultante do estudo pode orientar políticas públicas de controle de fontes difusas de poluição. 

Regiões mais críticas
Os resultados do trabalho mostram que as áreas mais críticas se concentram principalmente em municípios dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, além da região conhecida como Matopiba — considerada a principal fronteira agrícola em expansão no País, abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Também foram identificados, de forma mais localizada, municípios dos estados do Paraná e de São Paulo com elevada prioridade para ações de monitoramento. 

Segundo o estudo, essas regiões apresentam combinação de intensa atividade agropecuária, elevado uso de insumos agrícolas e condições ambientais que favorecem o transporte de nutrientes e sedimentos para os cursos d'água, cenário que pode ser agravado por eventos climáticos extremos.