Analista do Rabobank diz que os frigoríficos brasileiros vão continuar priorizando o mercado externo
Valor médio da carcaça bovina no mercado interno brasileiro girou em torno de R$ 30.000 por tonelada em 2025, em comparação com R$ 37.000 para o produto de exportação, compara Wagner Yanaguizawa
Em reportagem publicada na sexta-feira (9/10) pelo portal australiano Beef Central, o analista Wagner Yanaguizawa, especialista em proteína animal do Rabobank Brasil, sediado em São Paulo e com matriz na Holanda, afirmou que “a indústria de carne bovina brasileira continua a se beneficiar da combinação de um enorme rebanho bovino, ganhos de produtividade e um forte foco na exportação”.
Segundo ele, o rebanho bovino brasileiro atingiu o recorde de 196 milhões de cabeças em 2023 e permanece próximo a esse patamar, impulsionado por anos de recomposição do plantel, maior uso de genética e melhoria da eficiência produtiva. “Juntamente com um grande rebanho, estamos observando ganhos contínuos de produtividade por meio de carcaças mais pesadas, melhor conversão alimentar e maior adoção de sistemas de confinamento”, destacou Yanaguizawa.
Na reportagem publicada pela Beef Central, o analista afirmou que, embora o Brasil tradicionalmente consuma cerca de 70% de sua produção de carne bovina internamente, essa participação caiu para 61% em 2025, com a expansão das exportações para níveis recordes. Yanaguizawa prevê que a demanda por exportações de carne bovina brasileira continuará crescendo mais rapidamente do que o consumo interno no médio prazo.
“Na minha opinião, a procura do mercado externo deverá continuar a crescer mais rapidamente do que o consumo interno”, afirmou ele, acrescentando: “Nos médio e longo prazos, a cota de mercado interno deverá continuar a diminuir.”
Também citado no texto da Beef Central, o analista sênior de proteínas animais do Rabobank, Angus Gidley-Baird, afirmou que, “enquanto a Austrália exporta de 65% a 70% de sua produção de carne bovina, o Brasil historicamente dependeu muito mais do consumo interno”.
No entanto, destacou ele, o rápido crescimento das exportações significa que “o Brasil está se tornando um participante cada vez mais influente nos mercados globais”. Gidley-Baird acrescentou que, além dessa competitividade, os processadores brasileiros estão recebendo um prêmio nos mercados de exportação em comparação com as vendas no mercado interno.
Yanaguizawa afirmou que o valor médio da carcaça bovina no mercado interno brasileiro girou em torno de R$ 30.000 por tonelada em 2025, em comparação com R$ 37.000 para o produto de exportação. “A diferença é muito clara”, disse ele, completando: “As margens de exportação são maiores do que as margens do mercado interno, então, de uma perspectiva estratégica, os frigoríficos brasileiros provavelmente continuarão aumentando a oferta para os mercados de exportação, mesmo que isso signifique reduzir o consumo interno.”