Mercado do boi e da carne

Nova cota de importação amplia as perspectivas para a demanda por carne brasileira

Abertura temporária de uma cota adicional de 300 mil toneladas, com isenção tarifária por 90 dias, pode favorecer o produto brasileiro

8 SET 2026 • POR José Roberto dos Santos • 14h42

Após um período de alternância entre estabilidade e baixa, o mercado físico do boi gordo ganhou firmeza na virada do mês. A oferta controlada de animais terminados e a resistência dos pecuaristas às propostas abaixo das referências levaram frigoríficos com maior necessidade de compra a elevar as ofertas.

Na quarta-feira, a arroba valorizou em seis das dezessete regiões monitoradas, mas voltou à estabilidade na quinta e na sexta-feira em todas as praças. Embora o ambiente de negócios tenha melhorado, o volume adquirido não foi suficiente para alongar as escalas para além de sete abates, na média nacional.

A perspectiva de ampliação das exportações aos EUA reforça o viés positivo para setembro, principalmente para os cortes destinados à industrialização. A abertura temporária de uma cota adicional de 300 mil toneladas, com isenção tarifária por 90 dias, pode favorecer o produto brasileiro, embora o volume seja disputado por diferentes fornecedores e apenas parte dele deva ser absorvida pelo Brasil.

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O movimento ganha relevância diante da perda de ritmo das compras da China após o preenchimento antecipado da cota de 2026.

Na B3, a curva futura mantém prêmios sobre o mercado físico e aponta para preços mais firmes no último trimestre. A diferença se amplia nos vencimentos entre outubro e dezembro, sustentada pela oferta restrita de animais terminados, pelo aumento sazonal do consumo no fim do ano e pela expectativa de retomada das compras chinesas para a cota de 2027.

A confirmação desse cenário, porém, dependerá do desempenho das exportações e do comportamento das escalas de abate. Em outra frente, a suspensão das compras pela UE limita o otimismo e expõe uma fragilidade conhecida desde 2019.

Por se tratar de um mercado que remunera melhor os cortes e tem importância estratégica para a imagem da carne brasileira, o episódio reforça a necessidade de coordenação entre os elos da cadeia para adequar rastreabilidade, controle de antimicrobianos, bem-estar animal e sustentabilidade às exigências dos importadores, evitando novas perdas comerciais por falta de antecipação.

Na segunda -feira, com o mercado totalmente inativo em razão do feriado nacional, e nesta terça-feira, ainda sob os efeitos da retomada após o feriadão, a arroba em SP permaneceu em R$ 350,00. A média das demais regiões ficou em R$ 343,40. Pelo terceiro dia consecutivo, considerando a lateralidade de sexta-feira, todas as praças acompanhadas mantiveram as cotações estáveis.

No mercado futuro do boi gordo, a B3 encerrou a sexta-feira em alta pelo terceiro dia consecutivo . O destaque foi o contrato com vencimento em novembro de 2026, cotado a R$ 378,45 por arroba, avanço de 0,71% no comparativo diário.

SÃO PAULO:
Boi comum: R$ 350,00.
Boi China: R$ 350,00.
Média: R$ 350,00.
Vaca: R$ 325,00.
Novilha: R$ 335,00.
Escalas: seis dias.

MINAS GERAIS:
Boi comum: R$ 340,00.
Boi China: R$ 340,00.
Média: R$ 340,00.
Vaca: R$ 320,00.
Novilha: R$ 330,00.
Escalas: nove dias.

MATO GROSSO DO SUL:
Boi comum: R$ 345,00.
Boi China: R$ 345,00.
Média: R$ 345,00.
Vaca: R$ 320,00.
Novilha: R$ 330,00.
Escalas: cinco dias.

MATO GROSSO:
Boi comum: R$ 330,00.
Boi China: R$ 330,00.
Média: R$ 330,00.
Vaca: R$ 310,00.
Novilha: R$ 320,00.
Escalas: oito dias.

GOIÁS:
Boi comum: R$ 340,00.
Boi China/Europa: R$ 340,00.
Média: R$ 340,00.
Vaca: R$ 320,00.
Novilha: R$ 330,00.
Escalas: seis dias.