MERCADO EXTERNO

Queda das exportações pesa menos que o esperado sobre o boi gordo

Alcides Torres Jr., da Scot Consultoria, diz que o mercado tem reagido melhor à queda dos embarques do que previam os mais pessimistas e vê cenário positivo para a arroba até o fim do ano

24 AGO 2026 • POR Globo Rural • 11h56

A redução das exportações brasileiras de carne bovina trouxe pressão e aumentou a cautela no mercado do boi gordo, mas, até agora, seus efeitos sobre os preços têm sido mais amenos do que parte do setor projetava. Mesmo com o menor ritmo dos embarques e a recente perda de fôlego do consumo doméstico, o mercado segue relativamente equilibrado.

A avaliação é de Alcides Torres Jr., engenheiro agrônomo e diretor-proprietário da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP). “Tinha os alarmistas e os pessimistas dizendo que a coisa ia desmontar, ia quebrar todo mundo, o preço ia cair, ia fechar frigorífico. Não aconteceu isso”, afirmou. Segundo Torres Jr., a redução dos embarques é evidente e deverá resultar em um desempenho exportador mais fraco, mas outros fatores ajudaram a amortecer seus efeitos sobre o mercado pecuário.

“Estamos tendo algumas compensações com relação aos Estados Unidos e outros mercados. Os frigoríficos já tinham dado férias coletivas, então o mercado já tinha se ajustado. O consumo interno, apesar dessa pequena queda que a gente está tendo agora, continua firme”, explicou.

Para o analista, substituir a demanda chinesa está longe de ser uma tarefa simples. Ainda assim, o comportamento do mercado até aqui ficou distante dos cenários mais negativos projetados anteriormente. “O que está acontecendo agora com relação a preço e ao comportamento de mercado está bem mais ameno do que os mais pessimistas imaginavam”, disse.

“É um mercado equilibrado, vamos falar assim, para ficar no meio do caminho.” Para os próximos meses, a perspectiva traçada por Torres Jr. é mais favorável. Entre os fatores que podem contribuir para sustentar o mercado estão uma maior circulação de recursos na economia, o aumento sazonal do consumo no fim do ano e uma possível recuperação da demanda chinesa. “A expectativa é positiva. A gente imagina um mercado comprador”, afirmou.

O analista espera que a China volte a comprar mais carne bovina brasileira dentro de um ou dois meses, movimento que, combinado ao fortalecimento sazonal da demanda doméstica, pode contribuir para a firmeza das cotações. “Mais para o final do ano ainda temos as bonificações de fim de ano e, é claro, imaginamos que a China volte a comprar daqui a um ou dois meses. Então, os cenários são positivos no que diz respeito à firmeza da cotação da arroba do boi gordo”, afirmou.

“A expectativa é de que a exportação para os Estados Unidos aumente. Mesmo porque, para eles voltarem àquele nível de rebanho, vai levar algum tempo, se é que vão voltar”, afirmou. O analista também chamou atenção para os efeitos indiretos de uma maior demanda norte-americana dentro da própria América do Norte. Segundo ele, se os Estados Unidos ampliarem suas compras de carne do México, o mercado mexicano poderá, por sua vez, aumentar as aquisições do produto brasileiro. “Se os Estados Unidos voltam a comprar muito do México, o México passa a comprar muito da gente. Então, com relação à América do Norte, o cenário é positivo, pelo menos para este semestre”, concluiu.