Consumo favorável e escalas curtas sustentam gado gordo e impulsionam o mercado
Diante da escassez de boiadas prontas, os frigoríficos intensificaram as compras, reforçando o cenário favorável ao pecuarista
A recuperação dos preços no mercado físico do boi gordo segue se consolidando, sustentada pela dificuldade da indústria em alongar as escalas de abate, que permanecem, na média nacional, entre cinco e seis dias úteis, e pelo fortalecimento da demanda doméstica de carne bovina com a entrada da primeira quinzena de agosto.
O ambiente de negócios continua firme, sem mudanças relevantes em relação aos dias anteriores. Diante da escassez de boiadas prontas, os frigoríficos intensificaram as compras, reforçando o cenário favorável ao pecuarista.
As informações são do boletim da Agrifatto, divulgada em parceria com a Acrissul. Clique AQUI e acesse o relatório na íntegra.
Com maior intensidade nas negociações, o mercado manteve viés positivo. Em SP e PR, seguem sendo registrados negócios pontuais com boi gordo entre R$ 360,00 e R$ 370,00 por arroba, respectivamente. Em MG, PA e TO, também foram observadas operações entre R$ 345,00 e R$ 350,00 por arroba, igualmente acima das referências médias regionais.
Entretanto, por envolverem volumes reduzidos e estarem concentradas em frigoríficos de menor porte, voltados quase exclusivamente ao mercado interno, essas negociações ainda não possuem representatividade suficiente para alterar as referências predominantes.
A combinação entre oferta restrita, escalas curtas, exportações em bom ritmo e a expectativa de fortalecimento do consumo doméstico, impulsionado pelo comportamento historicamente mais favorável da primeira quinzena de agosto, tende a manter a indústria ativa nas compras, apesar da queda de braços entre pecuaristas e frigoríficos.
Ontem, terça-feira, quatro das dezessete praças monitoradas registraram valorização da arroba: MA, PA, RO e TO . As demais permaneceram estáveis. Hoje, a arroba em SP segue com viés de alta, sustentada em R$ 350,00. Nas demais regiões, a média da arroba avançou para R$ 339,50. Os reajustes positivos foram registrados em: AL, ES, MG, MT, PR, RO e SC . As demais praças permaneceram com cotações estáveis.
Mercado futuro
No mercado futuro do boi gordo na B3, a terça-feira encerrou em forte alta, revertendo as perdas registradas nos dois pregões anteriores. O destaque voltou a ser o contrato com vencimento em agosto de 2026, que fechou cotado a R$ 346,45 por arroba, com valorização de 1,61% em relação ao encerramento da sessão anterior.
Cepea confirma firmeza do mercado
Ao longo dos sete primeiros meses de 2026, os mercados de boi gordo e da carne foram marcados por relativa firmeza. A combinação entre exportações de carne bovina aquecidas, oferta relativamente ajustada de animais terminados e reposição valorizada sustentou os valores ao longo do período, mesmo diante de um consumo doméstico moderado.
O Indicador do boi gordo CEPEA/ESALQ (estado de São Paulo) teve média à vista de R$ 335,50 em julho, aumento de 1,8% frente à de janeiro deste ano, de R$ 329,52, em termos reais (IGP-DI de junho/26). Quanto à carcaça casada bovina, a média foi de R$ 23,62/kg em julho, aumento de 0,4% em relação ao primeiro mês de 2026, de R$ 23,52/kg, em termos reais (IGP-DI de junho/26).
O câmbio em patamar favorável reforçou a competitividade da carne bovina brasileira no mercado internacional, enquanto a demanda externa ajudou a compensar a fragilidade do consumo doméstico, ainda limitado pelo poder de compra das famílias. Apesar desse cenário, o mercado de boi gordo apresentou momentos distintos ao longo do período, alternando fases de maior pressão da oferta com períodos de recuperação das cotações.