OPINIÃO

Arroba do boi sobe, escalas caem e indústria reduz número de plantas em atividade

28 JUL 2026 • POR Por Fabiano Reis | Publicado pelo Canal Pecuarista • 15h54

Há plantas frigoríficas com férias coletivas distribuídas por todo Brasil. Também tem uma redução visível no ritmo de exportações de carne bovina, cenário apontado com claro, desde a definição da cota chinesa. Em outra ponta, a oferta de gado pronto recua, trouxe valorizações para a arroba do boi gordo, enquanto a escala de abates segue baixa.

Se existe insegurança por parte da indústria em aquisições de animais para abate e inserção em outros mercados, há alegação, mas o mercado é comprador e é possível ver a carne bovina brasileira chegar na China de forma indireta e também há necessidade de formar escalas, mas não as alongar muito. Por outro lado, a oferta de animais é cada vez mais restrita, o boi gordo já reflete alta de custo de produção de animais de reposição mais caros, em uma relação que deve seguir apertada, custo mais alto para o terminador e, consequentemente, alta na arroba.

A arroba do boi não caiu por fundamento de oferta e demanda. Recuou por conta do medo criado e amplificado pelo limite de escoamento com a cota da China

Apesar de uma fala massiva na mídia não especializada em torno dos riscos para a cadeia produtiva da carne bovina, da queda no valor na arroba do boi e até impactos de maior oferta do produto no mercado varejista do Brasil. Pouco disso é fato. Há rearranjos, meses de negociação, vendas para novos mercados, que pagam até mais. Fortalecimento e elevação de vendas para mercados tradicionais, como o dos Estados Unidos.

Podemos citar também, que apesar da queda que houve para arroba, não havia sustentação em fundamentos de mercado, por isso, a reação. E, dificilmente, por conta do já descrito, poderia haver elevação na oferta de carne bovina em um segundo semestre. Além disso, a lógica do mercado varejista é própria e distante da relação dos elos anteriores da cadeia produtiva.

A semana começou quente e nesta segunda-feira (27/7) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após reunião com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, afirmou que foi firmado um compromisso para a realização de uma missão sanitária sul-coreana que pode possibilitar a abertura do mercado do país asiáticos a frigoríficos brasileiros. Também, mais cedo, o Ministério do Comércio da China destacou que as exportações brasileiras bateram 80% da meta de 1,1 milhão de toneladas, mas não consideram o que está embarcado, mas não descarregado.

Por fim, em 18 dias úteis, os embarques de carne bovina totalizaram 195.214 toneladas, com média diária de 10.845 toneladas, queda de 9,9% frente aos dados de julho/25. O valor da tonelada em registrado média de US$ 6.368 por tonelada permanece cerca de US$ 800 acima do valor praticado no mesmo mês no último ano.