Custo de reposição é o maior desafio para o terminador neste início do 2°sem./26, diz Agrifatto
Já os preços do boi gordo tendem a recuar no curto prazo, apontam os analistas
Neste início do segundo semestre, a relação de troca boi gordo/animais de reposição deve permanecer abaixo da média histórica, mantendo o custo de reposição como principal desafio para o terminador, prevê a equipe de analistas da Agrifatto.
“Para julho/26, a expectativa é de que o bezerro continue sob pressão baixista, em razão da seca e do desânimo dos terminadores em pagar mais pelo animal de reposição”, projeta a consultoria.
Por sua vez, continuam os analistas, os preços do boi gordo tendem a recuar no curto prazo, um reflexo da iminente oficialização do fim da cota de exportação para a China (de 1,1 milhão de toneladas), o que tende a ampliar a oferta disponível no mercado interno, adicionando pressão baixista adicional sobre a arroba.
Seca eleva custo de manutenção do rebanho
Segundo levantamento da Agrifatto, junho/26 foi marcado por movimentos semelhantes entre os segmentos de boi gordo e reposição, com reflexo direto sobre as margens do terminador.
Na ponta da engorda, as cotações recuaram: o boi gordo registrou queda de 0,61% no comparativo mensal, encerrando o mês com média nacional de R$ 338,71/@.
“O principal fator foi o aumento da oferta de animais terminados e a desaceleração dos embarques para a China a partir da segunda quinzena de junho”, justifica a Agrifatto.
No mercado de reposição, o movimento também foi de queda. O bezerro encerrou junho/26 com desvalorização de 0,41% frente a maio/26, alcançando R$ 3.241,72 por cabeça (R$ 498,73/@), o menor patamar desde março/26, de acordo com os dados apurados pela Agrifatto.
“A chegada da seca reduziu a oferta de pasto e elevou o custo de manutenção do rebanho, o que naturalmente desestimula a demanda por reposição neste período do ano”, observa a consultoria.
Além disso, o cenário de queda do boi gordo reduz o apetite do terminador em pagar mais pelo animal, pressionando ainda mais a cotação do bezerro, acrescentam os analistas.
Recuo anual de 17% na relação de troca boi gordo/bezerro
Com o boi gordo desvalorizando mais que o bezerro, a relação de troca retraiu em junho/26.
De acordo com cálculos da Agrifatto, a troca entre o bezerro de 200 kg e o boi gordo de 18,94 arrobas encerrou junho em 1,98 cabeças por cabeça na média nacional, queda de 0,19% em relação ao quadro observado em maio/26.
No acumulado de janeiro a junho deste ano, o recuo na relação de troca é de 17,03%, ficando abaixo da média histórica dos últimos 10 anos em 16,80%, o menor nível para o período, aponta a Agrifatto.