NA MIRA DA UNIÃO EUROPEIA

Restrições da UE à carne bovina fazem Brasil acelerar rastreabilidade

Nova portaria do Ministério da Agricultura atende às exigências do bloco europeu e procura evitar interrupção das exportações brasileiras

1 JUL 2026 • POR Canal Rural • 12h56

A partir desta quarta-feira (1º), entra em vigor uma nova etapa da estratégia do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para atender às exigências da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. A medida prevê um sistema de certificação e rastreabilidade para bovinos livres desses medicamentos, em uma tentativa de preservar o acesso do Brasil ao mercado europeu diante das novas regras impostas pelo bloco.

A iniciativa ocorre em um momento de pressão crescente sobre a pecuária brasileira. Em setembro, passa a valer a regulamentação europeia que restringe a importação de carnes de países que utilizam determinados antimicrobianos ao longo da vida dos animais. O Brasil tentou negociar um período de transição e alternativas para adaptação, mas os pedidos foram rejeitados pela União Europeia.

Mais do que uma discussão sobre medicamentos, o impasse expõe um tema que há anos ganha espaço na agenda do agronegócio: a rastreabilidade individual dos animais.

Para a gerente executiva da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável , Michelle Borges, esse processo deixou de ser uma tendência e passou a ser uma necessidade para quem pretende permanecer competitivo. “O produtor tem que entender que a rastreabilidade é um caminho sem volta. E ele precisa entender que isso é um benefício para ele.”

Entenda o impasse com a União Europeia
A nova legislação europeia começou a ser desenhada em 2019, quando o bloco anunciou a intenção de restringir o uso de antimicrobianos na produção animal. A regulamentação foi formalizada em 2023, estabelecendo prazo para que os países exportadores se adequassem até 3 de setembro de 2026.

No caso da carne bovina, o desafio é maior porque a União Europeia exige o histórico completo do animal, desde o nascimento até o abate.

No Brasil, isso significa acompanhar bovinos que passam por diferentes propriedades durante um ciclo produtivo que pode durar entre dois e três anos. Muitos animais nascem em fazendas de cria, seguem para propriedades de recria e terminam o ciclo em confinamentos ou fazendas de engorda. Registrar todo esse percurso é justamente um dos maiores gargalos da rastreabilidade nacional.

Além disso, a lista europeia de substâncias proibidas inclui não apenas antibióticos utilizados na medicina humana, mas também ionóforos — aditivos amplamente empregados na alimentação do gado de corte para melhorar a conversão alimentar e o ganho de peso. A União Europeia recusou a proposta brasileira de restringir o uso apenas na fase final da engorda, mantendo a exigência de controle documental durante toda a vida do animal.