CRÉDITO RURAL

Equalização de juros do crédito rural ainda tem 'buraco' de pelo menos R$ 120 milhões

A poucos dias do início do Plano Safra 2026/27, taxas a produtores seguem indefinidas. Quase todo o dinheiro reservado no Orçamento para a subvenção a taxas já foi usado

26 JUN 2026 • POR Abrafrigo | Associação Brasileira de Frigoríficos • 10h10

A menos de uma semana da entrada em vigor do Plano Safra 2026/27, o governo federal ainda não chegou a uma definição sobre os juros e valores que serão ofertados aos médios e grandes produtores na próxima temporada. Há um “buraco” entre R$ 120 milhões e R$ 200 milhões no orçamento deste ano para bancar o pagamento de equalização de taxas do crédito rural pretendidas pelo Ministério da Agricultura, segundo pessoas a par das discussões.

A proposta inicial da Pasta demandava um orçamento para equalização “muito maior”, de cerca de R$ 860 milhões, e que não foi atendido pelo Executivo, relatou uma fonte. O valor equivale à diferença entre a verba em caixa atualmente e o montante necessário para atender às condições sugeridas pelo ministério: R$ 570 bilhões em financiamentos e juros de um dígito para médios e grandes produtores.

Há dificuldades para convencer a equipe econômica a encontrar espaço no orçamento para aportar mais recursos neste ano — consequência do aperto fiscal da União e das prioridades definidas para os gastos públicos. O tema tem sido tratado entre ministros e pode ser levado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em algum momento.

O lançamento do Plano Safra está previsto para 1 de julho. A equalização de juros corresponde ao diferencial de taxas entre o custo de captação de recursos pelas instituições financeiras, acrescido dos custos administrativos e tributários (spread bancário), e os encargos cobrados do tomador final do crédito rural. As condições negociadas agora estão “longe das pretensões iniciais” do Ministério da Agricultura, disse uma pessoa que acompanha as discussões.

A Pasta renunciou a alguns pedidos, e o valor do pedido caiu para R$ 200 milhões. Nesta semana, uma nova rodada de simulações levou o número para R$ 120 milhões. Mesmo assim, não há definição se o recurso será remanejado ou suplementado no caixa do Tesouro Nacional.

A diretriz técnica do ministério é buscar um Plano Safra “equilibrado”, capaz de combinar apoio aos produtores e responsabilidade fiscal, disse outra fonte. Uma das metas é preservar a “sustentabilidade” do crédito rural em

um cenário complicado de endividamento e de maior seletividade para concessão dos financiamentos. As negociações continuam em Brasília. No Ministério do Desenvolvimento Agrário, ocorreram avanços, e as medidas já estão mais alinhadas, principalmente em relação aos custos do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27 para o Tesouro Nacional.

A expectativa é de poucas mudanças em relação à temporada 2025/26. Algumas linhas deverão ter ajustes pontuais nos juros para direcionar as prioridades da Pasta. O valor deve ficar próximo de R$ 80 bilhões. Uma fonte avaliou que poderão ser ajustadas as taxas de custeio para a produção de alimentos de consumo interno pela agricultura familiar e das linhas de agroecologia, bandeiras do ministério.