Caminho Verde Brasil prevê recuperação de 40 milhões de hectares e aposta em MS como destaque
Recursos já disponíveis chegam a R$ 30 bilhões e dependem da adesão dos produtores
O Programa Caminho Verde Brasil prevê recuperar 40 milhões de hectares de pastagens degradadas em todo o país ao longo de 10 anos, com Mato Grosso do Sul entre os estados estratégicos. A iniciativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) já tem projetos em andamento no estado e deve ampliar investimentos nos próximos anos, com foco em produção de baixo carbono e acesso a mercados internacionais.
m entrevista exclusiva ao portal Primeira Página nesta sexta-feira (19), o coordenador do programa, Pedro Cunto, explicou que o objetivo é expandir a produção agropecuária sem abertura de novas áreas.
“O objetivo é recuperar 40 milhões de hectares, dos 100 milhões de hectares de pastagens degradadas pra gente aumentar a produção brasileira com um nível ainda maior de sustentabilidade. A nossa expectativa ao longo de 10 anos para viabilizar essa meta é aplicar pelo menos 60 bilhões de dólares”, apontou Cunto.
Parte dos recursos já começou a ser liberada, por meio de uma parceria com o Tesouro Nacional. O Mato Grosso do Sul concentra cerca de 12 milhões de hectares de pastagens degradadas, com potencial para adesão ao Programa Caminho Verde Brasil.
MS em destaque
O primeiro projeto assistido pelo Programa Caminho Verde Brasil foi iniciado em em terras sul-mato-grossenses, com foco na recuperação de área destinada à produção de cana-de-açúcar.
“A gente não tem uma restrição por bioma ou geográfica, Mato Grosso do Sul faz parte do programa com o Pantanal e Cerrado. O primeiro projeto foi aqui no Mato Grosso do Sul, é um projeto de 4.000 hectares, com incentivo de R$ 100 milhões para recuperação”, afirmou o coordenador.
Como aderir ao programa?
Segundo Cunto, a adesão ao Programa Caminho Verde Brasil depende diretamente da procura dos produtores, já que os recursos estão disponíveis, mas exigem iniciativa junto aos bancos.
“Vai depender da procura dos produtores, a gente tem R$ 30 bilhões já disponíveis pros produtores. E a gente pode encaixar projetos de qualquer porte, não há limite por tomador, não aguarde o seu gerente te procurar. Procure você o banco”, orienta.
Os financiamentos são oferecidos por instituições como Banco do Brasil, BNDES, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander. No entanto, o crédito exige o cumprimento de critérios rigorosos, como monitoramento contínuo das áreas e controle das emissões.
“O programa é bastante exigente nos critérios, há necessidade de balanço anual de carbono e certificação trabalhista. Os bancos vão monitorar isso a 100%, durante todo o período do financiamento”, explica Pedro.
Programa mira mercados internacionais
Além da recuperação ambiental, o programa também mira o mercado internacional. A produção sustentável é vista como um diferencial competitivo crescente.
“Sustentabilidade não é só uma exigência específica da Europa, é a tendência do mercado e a gente pode dobrar, triplicar a produção brasileira sem precisar desmatar. Isso vai nos garantir acesso ao mercado, apontou.
O acompanhamento das áreas será feito durante todo o período do financiamento, que pode chegar a 10 anos, com monitoramento contínuo das práticas adotadas.
Para 2027, a expectativa é de ampliação dos recursos com novos leilões de crédito, inclusive com participação internacional. Um novo financiamento, com apoio do governo japonês, deve priorizar pequenos e médios produtores.