Duas frentes frias trazem tempestades e geada forte ao Centro-Sul
Duas frentes frias avançam pelo Centro-Sul de 19 a 23 de junho, trazendo tempestades de até 80 mm, geadas amplas e queda acentuada de temperatura
A retaguarda do mês de junho reserva mudanças atmosféricas severas para o cinturão produtor do Centro-Sul brasileiro. Entre os dias 19 e 22 de junho de 2026, a atuação sucessiva de dois sistemas frontais vai alterar as condições meteorológicas de forma profunda, estabelecendo um padrão de tempestades seguidas por forte declínio térmico.
De acordo com as projeções divulgadas pelo centro de monitoramento Meteored, o primeiro sistema frontal começa a organizar áreas de instabilidade na região da fronteira sul do Rio Grande do Sul. O deslocamento do sistema ocorre de maneira acelerada, projetando chuvas de intensidade moderada a forte sobre os estados de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, além de alcançar pontos produtivos de Mato Grosso e Rondônia.
O avanço da instabilidade traz alertas significativos para os agricultores da faixa central do país. O encontro do ar quente e úmido com a retaguarda fria potencializa a ocorrência de temporais isolados com elevada atividade elétrica, elevando o risco de quedas de granizo localizadas sobre municípios do sudoeste mato-grossense e o norte sul-mato-grossense, área de lavouras de segunda safra.
Regiões sob alerta máximo de acumulados e granizo:
• Faixa oeste do Paraná: Maiores volumes na madrugada de segunda-feira;
• Sudoeste de Mato Grosso do Sul: Risco elevado de ventos e granizo;
• Interior e faixa leste de São Paulo: Volumes de até 80 mm no sábado;
• Fronteira agrícola de Rondônia e Mato Grosso: Linhas de instabilidade na sexta-feira.
A dinâmica das chuvas ganha escala volumétrica no sábado, quando o sistema se posiciona sobre as coordenadas do Sudeste. Os acumulados diários previstos oscilam entre 50 e 80 milímetros nas microrregiões de São Paulo e no litoral catarinense, impulsionados pela presença de um rio atmosférico que transporta massas de umidade diretamente da bacia amazônica para as latitudes meridionais.
Paralelamente ao avanço dos volumes pluviométricos, os termômetros iniciam uma trajetória descendente nas principais praças pecuárias e agrícolas, com mínimas recuando para patamares inferiores a 10°C ao longo do fim de semana.
Sem tempo para a recuperação plena das temperaturas, uma segunda frente fria inicia seu ingresso no território nacional a partir de segunda-feira. Este novo sistema frontal apresenta características dinâmicas ainda mais intensas, organizando uma linha de instabilidade que varre o corredor geográfico que se estende de Rondônia até o território paulista, com severidade concentrada no oeste paranaense.
"A combinação de duas massas de instabilidade consecutivas satura o solo e eleva o risco físico para as culturas de inverno, exigindo atenção redobrada quanto ao manejo", aponta a análise climática setorial para as regiões de transição agropecuária.
O aspecto mais complexo desse bloqueio atmosférico reside na retaguarda da segunda frente fria. Uma intensa massa de ar polar vai se deslocar pelo interior do continente, configurando um episódio rigoroso de friagem no sul da Região Norte e derrubando as médias termais em níveis que variam de 3°C a 6°C abaixo das referências históricas para o período.
O resfriamento acentuado projeta mínimas expressivas na metade sul de Goiás, oeste paulista, Mato Grosso do Sul e nos três estados sulistas. O resfriamento do solo combinado com a calmaria dos ventos pós-frontal pavimenta o caminho para a ocorrência de geadas amplas nas zonas de baixada, ameaçando pastagens e lavouras perenes que se encontram em fases reprodutivas ou de maturação.
Os modelos numéricos indicam que os recordes de temperaturas mínimas do ano de 2026 devem ser superados nas madrugadas subsequentes à saída das chuvas. O encerramento definitivo dos sistemas de precipitação e a estabilização do ar frio e seco devem manter o padrão de madrugadas geladas até meados da próxima semana, consolidando um fechamento de mês atípico para o agronegócio do Centro-Sul.