Disponibilidade de insumos deve ser favorável para o confinamento no segundo semestre
Outro ingrediente importante, o DDG, deve ter boa entrada nas dietas de confinamento
No segundo semestre, a disponibilidade de insumos para nutrição deve favorecer o confinamento. A avaliação é da MFG Agropecuária, que observa um cenário mais confortável para as grandes operações, principalmente em razão dos estoques elevados de grãos e ampliação da produção de coprodutos pela indústria.
“Acredito que o segundo semestre vai ser favorável à aquisição de nutrientes, favorecendo a relação de troca entre boi gordo e insumos”, avalia Fabiano Carvalho, coordenador de Planejamento do grupo que possui seis unidades distribuídas pelo país e abateu mais de 3,5 milhões de cabeças ao longo de sua história.
Dados da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) indicam safra recorde de soja e, com o maior volume de grãos processados, os confinadores terão mais acesso a um ingrediente até pouco tempo fora do radar dos grandes confinadores: o farelo de soja.
Outro ingrediente importante, o DDG, deve ter boa entrada nas dietas de confinamento. “Algumas usinas passaram por ajustes operacionais no início do ano, mas a tendência é de normalização ao longo do segundo semestre. Produtores que anteciparam posições garantiram melhores condições de compra”, lembra Fabiano Carvalho.
Vale uma leitura atenta nesse momento: ao balizar as opções na formulação, o DDG tende a sustentar uma competitividade interessante no curto prazo. Já o farelo de algodão, considerando o nível de estoques nas indústrias esmagadoras e a proximidade da nova safra, pode abrir algumas janelas pontuais especialmente para quem estiver atento a movimentos de ajuste e souber capturar oportunidades no timing certo.
A chegada da safra de milho e a própria produção nacional de etanol, hoje estimada em 20 bilhões de litros por ano, segundo a União Nacional do Etanol de Milho, também devem impulsionar a oferta do subproduto.
Mesmo com mais milho entrando nos estoques, o coordenador de Planejamento da MFG Agropecuária sugere cautela em relação à aquisição do grão. “Como qualquer commodity, o milho está suscetível aos impactos geopolíticos atuais. Considere possíveis oscilações de preços”, adverte.
Estratégia de aquisição de insumos garante dieta
Movimentos importantes ocorreram ao longo de 2025, mas, o segundo semestre favoreceu operações que adotaram estratégia de compra escalonada e proteção antecipada. Para se blindar, a MFG Agropecuária atua com um planejamento estratégico de aquisição de insumos. Entre os principais pilares estão:
– Fixação parcial e escalonada de insumos;
– Gestão de margem por lote;
– Monitoramento diário do mercado físico e futuro;
– Controle rigoroso de conversão alimentar;
– Uso de tecnologia para acompanhamento de desempenho individual e rendimento de carcaça.
Essa abordagem permite mitigar exposição à volatilidade e manter previsibilidade no custo da arroba produzida. Além disso, a companhia trabalha com indicadores diretamente relacionados ao resultado econômico do confinamento.
Um bom exemplo são o ganho de carcaça e a produção de arrobas. “O peso vivo pode sofrer variações, já o ganho de carcaça e a produção de arrobas no período de engorda traduzem de forma objetiva o resultado efetivo no gancho do frigorífico e a margem real de lucro na operação”, explica Fabiano.
Perspectivas para a produção em 2026
O cenário dos próximos meses indica manutenção da importância do confinamento como ferramenta estratégica de gestão do ciclo pecuário. A disciplina na compra de insumos combinada ao uso de instrumentos de proteção de preço e foco na produção de arrobas tende a favorecer operações profissionalizadas e tecnificadas.