Agrifatto e Scot indicam continuidade na pressão de baixa na arroba do boi gordo
Com escalas de abate entre 8 e 9 dias, na média nacional, os frigoríficos seguem sem urgência para comprar boiadas gordas, apurou a Agrifatto
Seguindo a toada das últimas semanas, a pressão baixista sobre o mercado físico do boi gordo continua ativa, um reflexo da maior oferta de animais terminados, impulsionada pela perda de qualidade das pastagens com a chegada do outono, somada ao enfraquecimento do consumo doméstico de carne bovina nesta segunda quinzena do mês, informa a Agrifatto.
Nesta quinta-feira (21/5), segundo apuração da consultoria, das 17 praças acompanhadas diariamente, 5 apresentaram recuos nas cotações da arroba: AC, GO, MA, MG e TO.
Por sua vez, relata a Agrifatto, com exceção de Rondônia, onde o valor do boi gordo subiu, as outras regiões monitoradas registraram estabilidade nos preços da arroba.
No interior de São Paulo, destaca a consultoria, o boi gordo sem padrão-exportação está valendo R$ 345/@, enquanto o “boi-China” é negociado por R$ 355/@.
Pelos dados levantados pela Scot Consultoria, no mercado paulista, o boi gordo direcionado ao mercado doméstico seguiu cotado em R$ 345/@ nesta quinta-feira, a vaca gorda é vendida por R$ 318/@, a novilha vale R$ 330/@ e o “animal-China” está apregoado em R$ 350/@ (valores bruto, no prazo).
“A oferta de boiadas continua atendendo à demanda vigente, enquanto as vendas de carne no mercado doméstico estão enfraquecidas, mantendo o mercado pressionado”, ressaltam os analistas da Scot.
Segundo a consultoria, o fator de sustentação para quem trabalha com bovinos mais jovens – abatidos com até 30 meses de idade) são as exportações, que seguem em bom ritmo.
De acordo com previsão da Agrifatto, a expectativa é de novos ajustes negativos na arroba ao longo dos próximos dias – até, pelo menos, o fim de maio/26.
“Em síntese, o mercado segue balizado por escalas de abate confortáveis, consumo doméstico enfraquecido e expectativa concentrada nos próximos desdobramentos da demanda externa”, relata a Agrifatto, que acrescenta: “Com escalas de abate entre 8 e 9 dias, na média nacional, os frigoríficos brasileiros seguem sem urgência para comprar boiadas gordas”.
Mercado futuro segue firme
No mercado futuro, os contratos do boi gordo continuam apontando recuperação, sustentada sobretudo pelos rumores de flexibilização das salvaguardas da China.
“O mercado passou a precificar a possibilidade de o Brasil aproveitar parte das cotas de importação não preenchidas por outros países, o que melhorou o humor do setor exportador e deu suporte aos negócios futuros”, esclarecem os analistas da Agrifatto.
Na visão da consultoria, o mercado físico e o futuro seguem em queda de braços: “de um lado, a pressão de oferta e o consumo mais lento; de outro, a expectativa de melhora no front externo”.
China: embarca ou não embarca?
A edição da SIAL Shanghai, encerrada na quarta-feira (20/5), foi marcada por um clima de profunda incerteza estrutural, destaca a Agrifatto.
A principal divergência tática, diz a consultoria, concentra-se na data limite de segurança para os embarques brasileiros.
Explica-se: enquanto o consenso especulativo sugere que os navios devem zarpar até o final de junho/26 para garantir acesso à tarifa reduzida, operadores adotam estratégias de risco assimétrico, observa a Agrifatto.
“Exportadores mais agressivos sustentam despachos na segunda quinzena de junho/26, projetando que 80% do volume consiga ingressar regularmente sob a cota, assumindo o risco de desviar os 20% restantes via canal cinza”, relata a consultoria.
Em contrapartida, importadores avessos ao risco regulatório já recusam sistematicamente cargas com data de embarque posterior a 15 de junho/26, acrescenta.
Nesta semana, informa a Agrifatto, o dianteiro bovino brasileiro exportado à China está cotado entre US$ 6.700/tonelada e US$ 6.800/tonelada, o mesmo patamar de preço registrado na semana anterior.