CLIMA & TEMPO

Previsões indicam calor, chuvas irregulares e ocorrência de El Niño para o próximo trimestre em MS

Fenômeno El Niño Oscilação Sul (ENOS) tem 92% de probabilidade de predominar no trimestre entre junho a agosto, ditando o comportamento do clima

19 MAI 2026 • POR Semadesc e Cemtec • 13h00
temperatura

A previsão meteorológica para os meses de junho, julho e agosto elaborada pelos técnicos do Cemtec/MS (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), indica um trimestre com chuvas irregulares e temperaturas ligeiramente acima do normal. No mesmo período deve se estabelecer o fenômeno El Niño, podendo ter intensidade fraca a moderada e e que venha a se tornar forte ou muito forte até o fim do ano.

O fenômeno El Niño consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico, ocorrência que provoca alterações climáticas em todo o Planeta. O alerta subsidia o Governo do Estado para reforçar as medidas necessárias de prevenção e combate a incêndios florestais. O Inverno é a estação mais crítica pela redução no volume de chuvas, o que aliado a temperaturas elevadas e baixa umidade do ar, torna o ambiente propício para propagação das chamas.

Conforme a Previsão Climática, no trimestre que vai de junho a agosto as chuvas ocorrerão de forma irregular no Estado, podendo haver precipitação maior em regiões que tradicionalmente enfrentam seca nessa época, e escassez em outras localidades onde deveria chover com mais frequência. Já as temperaturas tendem a permanecer próximas ou ligeiramente acima da média histórica.

O volume de chuva esperado para próximo trimestre varia entre 75 a 200 milímetros na maior parte do Estado, elevando-se para 200 a 300 milímetros no extremo sul, e ficando entre 25 a 50 milímetros nas regiões nordeste, norte e noroeste. As temperaturas médias variam entre 16°C (sul) a 24°C (nordeste).

Enquanto isso, o fenômeno El Niño Oscilação Sul (ENOS) tem 92% de probabilidade de predominar no trimestre entre junho a agosto, ditando o comportamento do clima. A probabilidade combinada de ocorrência de El Niño fraco a moderado torna-se predominante já a partir de junho, podendo chegar a muito forte no último trimestre do ano.

Devido às dimensões do Brasil, os técnicos do Cemtec/MS observam que não é possível afirmar com certeza quais alterações no clima podem ocorrer em cada região por conta de um El Niño intensificado.

“{…} poderá favorecer episódios de ondas de calor mais frequentes e intensos, além de potencializar períodos prolongados de temperaturas acima da média climatológica no Estado. Ressalta-se, contudo, que os impactos regionais dependem da interação entre o ENOS e outros sistemas atmosféricos e oceânicos de grande escala, de modo que a resposta climática em Mato Grosso do Sul será condicionada à atuação conjunta dessas forçantes com os sistemas meteorológicos regionais. Soma-se a isso o fato de o Estado situar-se em uma zona de transição climática, característica que contribui para maior variabilidade espacial e temporal das condições meteorológicas e climáticas.”

O fenômeno El Niño não costuma ser preciso em relação aos impactos que causa. No geral, podem ocorrer períodos de calor mais intenso, chuvas irregulares e veranicos nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde se localiza Mato Grosso do Sul.

Em relação ao Pantanal, a combinação entre temperaturas acima da média, baixa umidade e períodos secos mais prolongados pode favorecer o aumento do risco de queimadas, principalmente se houver redução das chuvas na transição para a primavera. Entretanto, os técnicos do Cemtec/MS ressaltam que o fenômeno El Niño, sozinho, não é fator responsável a favorecer a ocorrência de incêndios florestais, mas pode criar “condições mais favoráveis” para a propagação do fogo.

Outra preocupação trazida por essas mudanças no clima é em relação à Agropecuária, principal atividade econômica do Estado. Os impactos nas lavouras podem ser importantes. A irregularidade das chuvas e o excesso de calor tendem a prejudicar o desenvolvimento das plantas, afetar a produtividade, aumentar o estresse hídrico e elevar os custos de produção. Na pecuária, temperaturas elevadas e baixa disponibilidade hídrica podem provocar estresse térmico nos animais, redução do ganho de peso e piora das condições das pastagens.

O Cemtec/MS esclarece que vem monitorando continuamente os modelos climáticos e elaborando boletins técnicos sobre as tendências sazonais e possíveis impactos do El Niño para subsidiar tomadas de decisões tanto do poder público como de produtores rurais. Os técnicos explicam, ainda, que se faz necessário um acompanhamento permanente das atualizações climáticas para prever com mais precisão as tendências do clima e o desenvolvimento do fenômeno El Niño nas próximas semanas.