ANÁLISE ACRISSUL-AGRIFATTO

Abate de bovinos recua 7,57% em abril

O principal vetor da retração foi o abate de fêmeas, com queda de 10,94% na comparação mensal e de 13,94% na anual

11 MAI 2026 • POR José Roberto dos Santos | Com informações da Análise Acrissul-Agrifatto • 11h04

Em abril de 2026 o abate de bovinos em plantas SIF recuou para 2,29 milhões de cabeças, queda de 7,57% frente a março, com média diária de 95,60 mil animais, recuo mensal de 3,71%.

O principal vetor da retração foi o abate de fêmeas, que somou 975,76 mil cabeças, menor patamar para um mês de abril desde 2023, com queda de 10,94% na comparação mensal e de 13,94% na anual.

É o quarto mês consecutivo de queda anual nessa categoria, sinal que o mercado acompanha com atenção crescente. Já os machos sustentaram desempenho mais resiliente: 1,31 milhão de cabeças abatidas, recuo de 4,90% frente a março, mas com avanço de 4,43% na comparação com abril de 2025.

Ainda assim, o abate de fêmeas segue em patamar historicamente elevado. A média dos últimos cinco anos para abril é de 823,12 mil cabeças, e o resultado deste mês ficou 18,54% acima dessa referência. O ponto
central, porém, é a desaceleração do ritmo: em abril de 2025, essa diferença havia sido de 37,74%. Mostrando um sinal claro de desaceleração nos abates de fêmeas.

Reflexo direto dessa dinâmica, a participação das fêmeas no total abatido recuou para 42,53%, queda de 1,61 ponto percentual frente a março e de 4,78 p.p. em relação a abril do ano passado. Com oferta mais ajustada, a arroba do boi gordo renovou máxima nominal, atingindo média de R$ 362,77/@ segundo o indicador CEPEA, alta mensal de 3,60%, movimentação clássica de menor disponibilidade com demanda firme, tanto no mercado doméstico quanto no externo.

No recorte regional, Rio Grande do Sul (-31,99%), Bahia (-22,19%) e Maranhão (-14,28%) registraram as quedas mensais mais expressivas, contribuindo de forma relevante para a retração do volume nacional.

Maio é mês de descarte de fêmeas

Maio é historicamente marcado pelo descarte sazonal de fêmeas, ciclo esperado e que deve elevar os volumes de abate em relação a abril. Um pico sazonal em maio, portanto, não contradiz a tendência de fundo: a pecuária brasileira atravessa um momento de transição, após dois anos consecutivos de recordes de abate impulsionados pelo elevado descarte de fêmeas, com o setor gradualmente entrando em uma fase de retenção e reconstrução do rebanho.