SANIDADE ANIMAL

Falta de vacinas: crise está perto do fim, diz Sindan

Segundo a entidade, entre 120 e 140 milhões de doses serão liberadas, de forma gradativa, a partir de maio. Distribuição será pulverizada. A expectativa é de normalização em até quatro meses

8 MAI 2026 • POR Portal DBO • 14h39

A crise provocada pela falta de vacinas contra as clostridioses está perto do fim. Quem garante é o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan). Em debate promovido pelo programa DBO Destaca, Emílio Salani, vice-presidente da entidade, garantiu que entre 120 e 140 milhões de doses, em sua maioria importadas, estarão à disposição dos produtores até o final deste ano. Esse montante, entretanto, não estará disponível de uma vez. “Serão liberadas em torno de 10 a 12 milhões de doses por mês. Em até quatro meses, acredito que o cenário já esteja estabilizado”, diz o executivo.

A previsão é de que as vacinas comecem a chegar nas revendas agropecuárias a partir de maio. “Esta é uma notícia que, acredito, acalme o mercado”, afirma o executivo. De acordo com Salani, o Sindan está ainda estudando a forma como as vacinas serão comercializadas, uma vez que o desabastecimento acomete praticamente todas as regiões do País. “A intenção é que a venda seja racionalizada. Nosso interesse é pulverizar a distribuição de modo que possamos atender a todos”, afirma. Serão liberadas no mercado vacinas polivalentes e também doses exclusivas contra o botulismo.

Além das importações, outra boa notícia dada pelo executivo é que o Brasil pode contar, em breve, com novos fabricantes de vacinas contra clostridioses. “Posso garantir que temos dois a três players que estão finalizando as avaliações nas áreas fabril e regulatória para entrar no mercado. Num curto prazo de tempo, teremos a restauração do parque industrial”, disse. A menção à “restauração do parque industrial” faz todo o sentido porque explica, em parte, o cenário atual de desabastecimento.
Nas últimas décadas, houve uma redução drástica do número de empresas que comercializavam o imunizante no País. Eram 16 nos anos 2000 e hoje são apenas sete, com apenas uma delas produzindo em território nacional, a holandesa Vaxxionova, que em dezembro do ano passado comprou a Labovet, que também fabricava as vacinas.

“Tempestade perfeita”
Presente durante o debate, o diretor técnico da Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso”, Francisco Manzi, classificou a falta de imunizantes como uma crise “sem precedentes”. “Não me lembro de ter passado uma situação como essa, que é muito grave. Diferentemente da brucelose ou mesmo da aftosa, se faltasse alguma dessas vacinas, era possível postergar as campanhas sem maiores prejuízos. Contra as clostridioses não dá para não vacinar. São doenças que matam”, disse.

Para Salani, uma somatória de fatores contribuíram para o desabastecimento do mercado. A desativação da produção local da MSD na fábrica de Montes Claros (MG), em 2022, cuja planta havia sido adquirida após a compra da Vallée, em 2016, tirou do mercado um dos principais fabricantes nacionais de vacinas clostridiais. Desde então, a empresa passou a atuar nesse segmento com vacinas importadas. Outro duro golpe foi o encerramento das atividades operacionais da inglesa Dechra, em janeiro deste ano, após o episódio de mortes de animais provocadas pela aplicação de sua vacina Excell 10.

Das 130 milhões de doses de vacinas contra clostidioses, em torno de 110 milhões simplesmente deixaram de ser produzidas pela indústria. Outras duas fabricantes apresentaram problemas. Sem dar maiores detalhes, Salani afirmou que “um grande laboratório”, que estava prestes a começar a vacinas não conseguiu concluir o projeto, enquanto outra empresa descontinuou temporariamente a produção, o impactou na oferta de vacinas no mercado. “Nos últimos quatro anos, vivemos o que posso chamar de ‘tempestade perfeita’”, afirmou.

Priorizar os mais jovens
Neste horizonte de liberação lenta e gradual das vacinas contra clostridioses, Francisco Manzi questionou o professor Iveraldo Dutra, titular pela Unesp, e também presente no debate, que categorias o produtor deve vacinar de forma prioritária, caso não consiga adquirir as doses em quantidade suficiente para suprir sua demanda? “A prioridade é garantir a vacinação dos bezerros jovens, a partir dos quatro meses de idade”, respondeu Dutra.

Os próximos da fila, de acordo com o professor, são os bezerros recém-desmamados e gado na entrada do confinamento. “Aqueles animais que já receberam, ao longo de sua vida, ao menos duas doses de vacinas conjugadas (polivantes), têm uma imunidade mais duradoura, capaz de garantir uma proteção de, pelo menos, 12 meses”, informou. Neste cenário de escassez de imunizantes, o produtor deve se atentar fatores de risco na propriedade. “Não deixe carcaça no pasto, cuide da água de bebida dos animais, do armazenamento adequado dos alimentos. É hora de redobrar a atenção”, orientou.