Genética de MS domina pódio no julgamento de cavalos árabes e animais de Maracaju ganham destaque
Neste sábado equinos de MS, MT, PR e SP disputam na Expogrande em categorias que avaliam performance e morfologia
O julgamento da raça Árabe durante a 24ª Expogrande Arabian Show reafirmou o Mato Grosso do Sul como um dos principais polos genéticos da raça no Brasil. O grande protagonista da competição, realizada neste sábado (18), foi o Haras Engenho, de Maracaju, que conquistou o maior volume de prêmios do evento, evidenciando o resultado de décadas de seleção rigorosa e investimentos em linhagens de alto desempenho.
A pista de julgamentos reuniu animais vindos de quatro estados: Mato Grosso, Paraná, São Paulo e o anfitrião Mato Grosso do Sul. Mesmo diante de uma concorrência qualificada, os equinos do Haras Engenho dominaram as principais categorias, recebendo troféus e o reconhecimento técnico de juízes e especialistas.
O sucesso da propriedade de Maracaju está diretamente ligado à consistência de seus garanhões. Entre os destaques, o juiz valorizou a égua Caprice Navarre, que conquistou o título de Campeã Ouro na categoria 48 a 60 meses. Filha do lendário garanhão Navarre, ela personifica o padrão de excelência buscado pelo criatório.
Segundo o juiz da exposição, Cézar Schmidt, o equilíbrio foi o diferencial para a escolha dos campeões. "Tanto a Ouro quanto a Prata no Campeonato Égua são filhas do Navarre. São animais muito equilibrados, com bastante tipo Árabe, beleza e bem conformados", avaliou o juiz, destacando ainda o refinamento de cabeça e a evolução da genética regional.
Além da linhagem consolidada de Navarre, garanhão que, embora já falecido, continua imprimindo qualidade através do uso de sêmen congelado, o Haras Engenho celebrou a estreia promissora de RD Ravhier. Sua primeira filha com idade de pista já garantiu o primeiro lugar em sua categoria e o título de Reservada Campeã (Prata) no Campeonato Júnior Fêmea.
Para Alexandre Puga de Barcelos, diretor de leilão da ACMS, os diferenciais são claros: "Navarre é um cavalo mais alto, longilíneo, com muito trote e tipo. Já o Ravhier, embora novo, mostrou que transmite frentes, pescoço e cabeças maravilhosas, além de um corpo espetacular".
Para Laucídio Coelho Neto, proprietário do Haras Engenho, os resultados em pista são o reflexo de um manejo permanente. "O cavalo tem que ser atlético. A conformação é muito importante para provas de alto desempenho; sem ela, o animal deixa a desejar. É um trabalho de muito tempo tentando ter cada vez um cavalo melhor", afirmou o criador.
A paixão pela raça, que une gerações, também foi ressaltada pela criadora Maria Alice da Mota Barcelos. "Poder ver novamente o quanto a raça tem evoluído e com animais de tão alto nível é muito bacana. É um legado que continua", disse ela, acompanhada pela nova geração da família na pista.
A genética premiada na Expogrande 2026 estará ao alcance do mercado em breve. Laucídio Coelho confirmou a realização de um leilão no dia 15 de agosto, onde serão disponibilizados animais criteriosamente selecionados. "Teremos animais aptos para reprodução e outros para o trabalho, bem domados e mansos, adequados para qualquer perfil de cavaleiro", antecipou o proprietário.
O presidente da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe (ABCCA), Francisco Vilaró Carrasco, reforçou o papel do Haras Engenho no cenário nacional. "O Laucídio é um criador super criterioso. O Navarre, por exemplo, foi um garanhão excepcional que deixou uma progênie muito boa, animais com corpo, atitude e cabeças bonitas", concluiu Carrasco.
A 24ª Expogrande Arabian Show encerra-se consolidando a força do cavalo Árabe pantaneiro, que une a beleza estética exigida nas pistas à funcionalidade necessária para o dia a dia no campo.