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Famasul e governo firmam acordos na Expogrande para educação no Pantanal e regularização fundiária

O projeto prevê uma estrutura completa, com espaços de capacitação, tecnologia educacional e ações voltadas à realidade pantaneira

16 ABR 2026 • POR José Roberto dos Santos | Com informações de A Crítica • 09h00
Governador assina acordos, acompanhado do presidente da Acrissul, Guilherme Bumlai, e do presidente da Famasul, Marcelo Bertoni - Fotos: José Henrique Theotônio

Na manhã desta quinta-feira (16), o Sistema Famasul e o Governo de Mato Grosso do Sul assinaram dois protocolos de intenções com impacto direto no agronegócio, durante a 86ª Expogrande, realizada no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande. As medidas tratam da criação de um centro de ensino no Pantanal e da digitalização de títulos para regularização fundiária na faixa de fronteira.

O ato reuniu autoridades estaduais, lideranças do setor produtivo e representantes de entidades ligadas ao agro, reforçando a parceria institucional em uma das principais vitrines econômicas do Estado, que segue até o dia 19 de abril.

Centro de ensino no Pantanal

Um dos destaques foi a formalização do projeto para construção de um centro de ensino no Pantanal. A iniciativa envolve Famasul, Senar/MS, Funar e o Governo do Estado, com o objetivo de levar educação técnica e estrutura permanente a uma das regiões mais isoladas de Mato Grosso do Sul.

O presidente da Famasul, Marcelo Bertoni, ressaltou o alcance da proposta. “É levar educação para dentro do Pantanal, criando um centro de referência, inclusive com estrutura para apoio ao combate a incêndios no bioma”, afirmou.

O projeto prevê uma estrutura completa, com espaços de capacitação, tecnologia educacional e ações voltadas à realidade pantaneira. A área destinada ao empreendimento, com cerca de 246 hectares, foi doada por uma produtora rural.

O governador Eduardo Riedel destacou que a iniciativa está alinhada a políticas públicas já em andamento. “Essa escola no Pantanal foi amplamente debatida e está conectada ao Pacto Pantanal. É uma forma de garantir a permanência das famílias, valorizando cultura, produção e qualidade de vida”, disse.

Regularização fundiária

Outro ponto de destaque foi a assinatura do protocolo para digitalização de títulos de propriedade na faixa de fronteira, considerada estratégica para a segurança jurídica no campo.

A iniciativa envolve Famasul, Semadesc e Agraer e prevê o uso de inteligência artificial na análise documental. Segundo Bertoni, a tecnologia deve reduzir significativamente o tempo dos processos. “O que antes levava até três anos pode ser concluído em cerca de seis meses”, explicou.

Em Mato Grosso do Sul, cerca de 32 mil propriedades, distribuídas em 45 municípios, estão localizadas na faixa de fronteira — área que corresponde a aproximadamente 40% do território estadual. A regularização é exigida por legislação federal e impacta diretamente produtores rurais.

A medida facilita o acesso ao crédito, amplia a segurança jurídica e fortalece o ambiente de negócios no setor.

Demandas do setor

Durante o evento, a Famasul também entregou ao Governo do Estado um documento com propostas voltadas ao fortalecimento da agropecuária. O material reúne demandas relacionadas à infraestrutura, crédito rural, inovação tecnológica e sustentabilidade.

Riedel destacou a importância da construção conjunta entre governo e setor produtivo. “Essas ações são resultado de uma confiança construída ao longo do tempo e impactam diretamente a competitividade do Estado”, afirmou.

Expogrande como vitrine

A assinatura dos protocolos ocorre durante a programação da Expogrande 2026, considerada a maior feira agropecuária de Mato Grosso do Sul. O evento reúne produtores, empresários, investidores e autoridades em mais de dez dias de atividades voltadas a negócios, tecnologia e capacitação.

Com o agronegócio representando cerca de 40% do PIB estadual, iniciativas como essas reforçam o papel do setor como motor econômico e estratégico para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul.