Piscicultura avança em MS com produção recorde e ampliação de incentivos
Atualmente, o subprograma conta com 105 estabelecimentos rurais cadastrados e sete indústrias credenciadas
A piscicultura em Mato Grosso do Sul vive um momento de expansão e se consolida como uma das principais atividades agroindustriais do Estado. Em 2025, a produção de peixes de cultivo ultrapassou 53 mil toneladas, com predominância da tilápia. Já os peixes nativos avançam e representam 14% do total, indicando potencial de diversificação da atividade.
Para fortalecer a cadeia produtiva, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), realizou nesta terça-feira (14) o Encontro Técnico de Piscicultura, no auditório da Acrissul, em Campo Grande, durante a Expogrande. O evento reuniu produtores, indústrias, técnicos e pesquisadores para discutir inovação, mercado e eficiência produtiva.
Participaram do encontro o secretário da Semadesc, Artur Falcette; o secretário-adjunto, Alex Melotto; o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Rogério Beretta; o diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold; e o diretor-presidente da Agraer, Fernando Nascimento.
A iniciativa faz parte do Programa de Avanços na Pecuária de Mato Grosso do Sul (Proape), que inclui a piscicultura por meio do subprograma Peixe Vida. O programa prevê incentivos como isenção de ICMS para alevinos, redução de 50% da alíquota para juvenis e peixes adultos e carga tributária de 1% nas operações interestaduais.
Atualmente, o subprograma conta com 105 propriedades cadastradas e sete indústrias credenciadas. Entre janeiro e abril de 2026, foram destinados R$ 1,15 milhão em incentivos ao setor.
Durante a abertura, o secretário Artur Falcette destacou a importância da integração entre produtores, instituições e políticas públicas. Segundo ele, ações como o encontro contribuem para dinamizar a cadeia produtiva e ampliar o desenvolvimento da piscicultura no Estado.
Falcette também ressaltou a necessidade de planejamento estratégico e integração entre os diferentes elos da produção. Ele citou programas como o Propeixe e o Peixe Vida, além de parcerias com instituições de pesquisa, como fundamentais para a diversificação produtiva.
O secretário defendeu ainda o equilíbrio entre a produção de tilápia e de peixes nativos. “A tilápia é uma commodity global, com preço definido pelo mercado internacional. Já os peixes nativos têm características próprias e grande potencial de valorização”, afirmou.
O secretário-executivo Rogério Beretta destacou o papel dos peixes nativos, especialmente em regiões onde a criação de tilápia não é permitida. “Metade do Estado não pode criar tilápia e precisa investir nessas espécies”, disse. Segundo ele, o Plano Estadual prevê ações de melhoramento genético com foco em produtividade e manejo.
Beretta também chamou atenção para a demanda crescente por pescado nativo. “Há mercado, mas ainda precisamos ampliar a produção local, já que parte do pescado vem de fora. Isso mostra o potencial do setor, inclusive para exportação”, afirmou.
De acordo com o secretário, o Governo já iniciou ações para impulsionar a atividade, com projetos de pesquisa e melhoramento genético. A expectativa é de que a integração entre produtores e técnicos contribua para o crescimento da piscicultura em Mato Grosso do Sul.
A programação do encontro incluiu painéis sobre edição genômica em peixes, resultados da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) na produção de pintado e perspectivas de mercado da tilápia.