PESQUISA & TECNOLOGIA

Embrapa Pantanal completa 51 anos de atividades na região Pantaneira

Suas pesquisas fundamentam políticas públicas cruciais, como a regulamentação da pesca e estratégias para a agricultura familiar e orgânica

24 FEV 2026 • POR Raquel Brunelli D´Avila | Embrapa Pantanal • 11h08
Sede da Embrapa Pantanal, em Corumbá - Raquel Brunelli D´Avila

Fundada em 24 de fevereiro de 1975, na cidade de Corumbá (MS), a Embrapa Pantanal vem destacando seu papel essencial no desenvolvimento sustentável e na inovação tecnológica da região pantaneira. A instituição evoluiu de um Centro focado na produtividade pecuária para uma Unidade multidisciplinar que integra conservação ambiental, biotecnologia e valorização dos serviços ecossistêmicos.

Suas pesquisas fundamentam políticas públicas cruciais, como a regulamentação da pesca e estratégias para a agricultura familiar e orgânica. Entre as inovações modernas, sobressai a ferramenta Fazenda Pantaneira Sustentável, que auxilia produtores a conciliar rentabilidade com a preservação do bioma. A Unidade conecta, também, conhecimentos tradicionais a exigências de mercados globais, garantindo a proteção dos recursos naturais pantaneiros.

Chegada de novos empregados

A Chefe Administrativa da Embrapa Pantanal, Regina Célia Rachel, explica que em 2024 a Embrapa realizou concurso público que contou com aproximadamente 280 mil inscritos para vagas em Unidades em todo Brasil, e, cujo resultado vem permitindo o ingresso de novos talentos na empresa. “A iniciativa reforça o compromisso da Embrapa com a renovação e a valorização de profissionais qualificados, alinhados à missão de promover inovação e excelência. Foi um concurso muito aguardado, pois o último foi realizado há 15 anos ”, explica Regina.

“Para a Unidade de Corumbá, estão previstas um total de 24 vagas. Até o momento já foram convocados e assumiram 9 delas empregados lotados nos setores Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI), Setor de Gestão de Campos Experimentais (SCE), Setor de Patrimônio e Suprimentos (SPS), Setor Orçamentária e Financeira (SOF), Núcleo de Apoio a Programação (NAP) e além de pesquisadores. Para o mês de março está prevista a chegada do nosso Técnico de Segurança. Os demais estão em fase de convocação que depende do processo da sede”, detalha a Chefe Administrativa da Unidade Pantanal.

Para a Chefe Geral da Embrapa Pantanal, Suzana Salis, a chegada dos novos colegas representa um momento importante para o fortalecimento institucional. “Cada novo empregado que chega amplia nossas competências e renova a energia da equipe. A diversidade de formações e experiências fortalece o trabalho coletivo e contribui para que a Unidade continue avançando em suas entregas para o Pantanal e para a sociedade”, destaca.

Áreas de atuação

A Unidade de Corumbá equilibra a produção agropecuária e a conservação ambiental por meio do desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas para o desenvolvimento regional sustentável, integrando as dimensões ambiental, econômica e social. Esse equilíbrio é alcançado através de diversas frentes de atuação:

• Ferramenta Fazenda Pantaneira Sustentável (FPS): Considerada o "carro-chefe" atual da Unidade, essa ferramenta utiliza indicadores ambientais, socioculturais e econômicos para diagnosticar a sustentabilidade das fazendas de pecuária de corte. Ela auxilia o produtor na tomada de decisões que melhorem a eficiência produtiva e o bem-estar social, garantindo a conservação do ambiente.

• Tecnologias para a Pecuária Sustentável: A Embrapa Pantanal adaptou e desenvolveu um "pacote tecnológico" específico para o bioma, que inclui calendário sanitário, estação de monta, desmama precoce, inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e suplementação alimentar. Essas práticas permitem que a região atue como um "berçário" de bezerros de qualidade, otimizando a produção sem comprometer os recursos naturais.

• Subsídio a Políticas Públicas: As pesquisas da unidade fornecem base científica para a formulação de leis e programas, como a legislação para restauração de formações campestres e o ordenamento da pesca em Mato Grosso do Sul, incluindo a definição dos períodos de defeso com base na biologia das espécies. Essas informações técnicas serviram de subsídio para as políticas de gestão da pesca, sendo que a definição do período de defeso é um resultado direto dos levantamentos realizados pela unidade. Além disso, a Embrapa Pantanal teve um papel de destaque na implantação do Sistema de Controle de Pesca de Mato Grosso do Sul (SCPESCA/MS), que funciona desde 1994 como uma das principais recomendações para o controle da atividade na região.

• Monitoramento e Avaliação de Impactos: A Embrapa realiza o monitoramento constante dos impactos ambientais e socioeconômicos decorrentes das mudanças climáticas e da alteração do uso da terra, além de identificar e valorar os serviços ecossistêmicos prestados pelo Pantanal.

• Inovação em Bioeconomia e Agricultura Familiar: promove a transição para a produção agroecológica e orgânica, além de incentivar atividades como a apicultura (mel do Pantanal), que serve como alternativa de renda sustentável para fazendas tradicionais.

• Gestão de Recursos Naturais: Desde a década de 1980, a equipe multidisciplinar da unidade levanta informações detalhadas sobre clima, solo, fauna, flora e recursos hídricos para garantir que o uso da biodiversidade ocorra de forma racional e planejada.