Corrida contra tarifas impulsiona exportação de carne bovina e Brasil quebra recorde em fevereiro
Em apenas três semanas, frigoríficos superaram a marca histórica do mês, puxados pela alta demanda chinesa e por janela de isenção de taxas
O mercado internacional de carne bovina brasileira vive um ritmo de aceleração sem precedentes neste início de ano. Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) relativos ao final da terceira semana de fevereiro mostram que os embarques da proteína já superaram completamente os volumes totais registrados no mesmo mês do ano passado.
Em um espaço de apenas três semanas de atividades, o equivalente a 20 dias úteis, o Brasil exportou um total de 192.700 toneladas de carne bovina. Com esse número, o setor deixa para trás o antigo recorde de fevereiro. Este recorde girava em torno de pouco mais de 190.000 toneladas. Além disso, o ritmo dos embarques atingiu a impressionante média de 14.820 toneladas escoadas por dia. Isso representa um salto de 55% em comparação à média diária do último ano.
A estratégia por trás dos números
Para quem observa o mercado de fora, o volume pode parecer apenas uma flutuação positiva. Entretanto, ele reflete uma estratégia agressiva da indústria para fugir de custos extras. O principal motor desse recorde é o comércio com a China.
As indústrias frigoríficas estão acelerando suas operações para aproveitar uma janela comercial vantajosa: a isenção de tarifas. Existe uma cota estabelecida que permite a exportação de até 1.100.000 toneladas de carne para o mercado chinês sem a cobrança de taxas adicionais. Temendo ultrapassar esse teto e ter seus produtos sobretaxados no futuro, os frigoríficos brasileiros pisaram no acelerador.
Esse movimento encontrou do outro lado do mundo os importadores chineses que também intensificaram suas aquisições no período para garantir o produto mais barato.