EXPORTAÇÃO

Exportações de gado vivo voltam a superar 1 milhão de cabeças

Receitas com vendas externas somam US$ 1,05 bilhão, 26% a mais do que em 2024

14 JAN 2026 • POR Valor Econômico • 16h16

O Brasil voltou a superar a marca de 1 milhão de gado vivo exportado em 2025. Isso deu ao país a participação de 24% nas exportações mundiais desse mercado. A transação internacional de gado em pé atingiu 4,3 milhões de cabeças no mundo, um número, no entanto, inferior ao de 2024, que foi de 5,5 milhões, segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Pelos números da consultoria Athenagro, com base nos dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), as receitas obtidas com as vendas superaram US$ 1 bilhão. Em quantidade, a exportação de gado vivo foi a 1,05 milhão de cabeças, 26% a mais do que em 2024; em receitas, o valor atingiu US$ 1,05 bilhão, uma injeção média de R$ 5,84 bilhões na economia.

Ainda com base na Athenagro, o país obteve US$ 2,36 bilhões nos últimos três anos, com a colocação de 2,63 milhões de gado vivo no mercado externo. É um avanço muito grande em relação aos anos de pandemia de 2021 e 2022, quando a transação comercial estava restrita, principalmente pelo preço do gado e pelo custo do frete marítimo. Naqueles dois anos, as receitas foram de US$ 261 milhões, com a exportação de 257 mil animais.

A exportação de gado em pé nem sempre é bem aceita, tanto por associações de defesa de animais como por parte da indústria frigorífica. As associações destacam o longo percurso e as condições de remoção dos animais. Já os frigoríficos, em defesa própria, afirmam que a exportação de carne processada geraria um valor agregado maior para o país.

Essa modalidade de mercado, no entanto, favorece os produtores. Em regiões em que a presença de frigoríficos é menor, a comercialização de gado vivo dá maior sustentação aos preços pagos aos pecuaristas. Além disso, por questões religiosas ou por exigências próprias de manuseio da carne, alguns países preferem a compra do gado vivo.

O Pará é o líder nas exportações. Com receitas de US$ 575 milhões no ano passado, ficou com 55% do valor obtido pelo país. Rio Grande do Sul, São Paulo, Tocantins e Paraná vêm a seguir. Já a Turquia foi a principal importadora, com compras de US$ 335 milhões em 2025. Marrocos, Iraque, Egito e Líbano completam a lista dos principais compradores.

Até a Venezuela entrou nessa lista, com gastos de US$ 2 milhões. O país vizinho já foi muito importante para esse mercado brasileiro. De 2012 a 2014, 80% das receitas com as exportações de gado vivo pelo Brasil vinham da Venezuela. Após o Brasil, os maiores exportadores mundiais de gado em pé são Austrália e Canadá, ambos com 740 mil animais colocados no mercado externo.