JBS aponta novo salto da pecuária brasileira com bois mais jovens e pesados
Genética, nutrição e recuperação de pastagens podem ampliar a produção dentro das fazendas; para o pecuarista, o desafio é transformar eficiência em margem
A próxima etapa de crescimento da pecuária brasileira pode ser construída dentro das próprias fazendas, com animais mais jovens, maior produção por hectare e melhor aproveitamento dos recursos disponíveis. Essa é a perspectiva apresentada por Eduardo Pedroso, diretor executivo de Originação e Confinamentos da Friboi, da JBS, ao analisar as transformações da cadeia da carne bovina e as oportunidades para o setor.
O movimento coloca o produtor no centro de uma mudança que vai além do peso final do boi. Envolve reduzir o tempo necessário para entregar animais ao frigorífico, melhorar a qualidade das carcaças e organizar a produção conforme as exigências dos compradores.
Para a fazenda, porém, o resultado depende de uma condição decisiva: o ganho de produtividade precisa compensar o investimento e melhorar a rentabilidade. Na avaliação de Pedroso, a pecuária ainda tem espaço para aumentar sua eficiência por meio da intensificação dos sistemas produtivos e da combinação entre genética, alimentação e gestão. “O maior salto está por vir. Vamos ter mais incremento no campo”, afirmou o executivo.
Entre os exemplos apresentados estão propriedades que conseguem entregar animais de 25 a 26 arrobas entre 18 e 20 meses. Esses resultados representam sistemas de elevado desempenho e não devem ser confundidos com a média da pecuária nacional. A relevância está na combinação entre peso e precocidade. Um animal que alcança o padrão de abate em menos tempo pode reduzir sua permanência na propriedade e liberar recursos para o próximo lote.
Esse benefício, entretanto, precisa ser confrontado com os custos da alimentação, da reposição e da infraestrutura necessária. A seleção de animais com potencial de crescimento é parte dessa transformação, mas seu efeito depende das condições oferecidas ao rebanho. Em manifestação anterior sobre o avanço da pecuária, Pedroso resumiu essa relação: “Não tem boi jovem sem nutrição de alto nível”.
A declaração reforça que precocidade exige continuidade do desempenho ao longo da cria, recria e terminação. Na prática, isso significa evitar que ganhos obtidos em uma etapa sejam comprometidos na seguinte. Uma recria marcada por restrição alimentar, por exemplo, pode prolongar o ciclo e dificultar a entrega de animais no padrão pretendido.
A tecnologia precisa funcionar como um conjunto, com planejamento alimentar, manejo sanitário, genética adequada e acompanhamento dos resultados. A recuperação das áreas de pasto também ocupa posição central nessa agenda.
A Embrapa destaca o desenvolvimento de soluções para manter a capacidade produtiva das pastagens, elevar a competitividade e reduzir a pressão pela abertura de novas áreas. Essa abordagem aparece igualmente na estratégia divulgada pela JBS. Em novembro de 2025, Fábio Dias, líder de Pecuária Sustentável da companhia, apontou a regeneração de pastagens e os sistemas integrados como caminhos para fortalecer a eficiência e a continuidade da atividade.
Para o produtor, a implicação é direta: aumentar a lotação exige conhecer a capacidade de suporte da área e sua variação ao longo do ano. Mais animais por hectare precisam vir acompanhados de alimento suficiente e desempenho individual, para que o aumento da produção não seja comprometido pela perda de condição do pasto. Pedroso também associa a transformação da cadeia à demanda internacional, especialmente à participação da China nas compras de carne brasileira. “Vivemos uma grande mudança setorial com a demanda chinesa”, afirmou.
O crescimento das oportunidades comerciais amplia a importância de características como idade de abate, qualidade da carcaça, sanidade e rastreabilidade. Ao mesmo tempo, os compradores possuem exigências diferentes, o que demanda maior alinhamento entre a produção no campo e o destino da carne.
Nesse contexto, produzir mais é apenas uma parte da estratégia. Entregar com regularidade o produto que cada mercado procura também influencia a competitividade da cadeia. A perspectiva de animais mais pesados e ciclos mais curtos abre oportunidades, mas não elimina a necessidade de avaliar cada sistema produtivo.
Para transformar desempenho em resultado econômico, o pecuarista precisa acompanhar indicadores como: Custo da arroba produzida, considerando alimentação, manejo e demais despesas; Produção por hectare, para avaliar o aproveitamento da área; Tempo de permanência dos animais, que influencia o giro do capital; Rendimento e acabamento de carcaça, conforme o padrão comercial; Margem por lote e por hectare, para verificar o retorno efetivo. A análise é especialmente relevante quando a intensificação exige maior desembolso antes da venda.
O peso adicional precisa remunerar os recursos empregados, considerando também o prazo e as condições de comercialização. O potencial apontado pela indústria depende, portanto, de decisões concretas dentro da porteira. Para o produtor, o avanço mais consistente será aquele que combinar mais carne por área, regularidade de entrega e margem suficiente para sustentar o negócio.