LOGÍSTICA

Fretes de grãos desaceleram em MS, mas seguem acima de 2025 em algumas rotas

Levantamento da Conab mostra recuos em nove rotas, estabilidade em quatro e altas em outras quatro

5 OUT 2026 • POR Campo Grande News • 13h55

Os fretes agrícolas praticados nas principais rotas de escoamento de grãos de Mato Grosso do Sul tiveram predominância de queda ou estabilidade em agosto, mas o comportamento não foi uniforme entre os corredores. Das 17 rotas acompanhadas pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), houve redução mensal em nove, estabilidade em quatro e aumento em quatro. Na comparação com agosto de 2025, porém, oito trajetos apresentaram valores maiores, enquanto outros oito registraram queda e um permaneceu estável.

O cenário ocorre justamente durante o avanço da colheita do milho segunda safra no Estado, quando aumenta a necessidade de transporte da produção retirada das lavouras para armazéns, cerealistas, cooperativas e consumidores. Segundo a Conab, não houve pressão generalizada de alta sobre os fretes em agosto, apesar do aumento da movimentação de milho.

MS tem estrutura para só 59% da armazenagem necessária de grãos
O levantamento integra o Boletim Logístico de setembro de 2026, divulgado pela Conab nesta quarta-feira (30). A análise acompanha os principais corredores de transporte de grãos em dez estados brasileiros.

Maracaju–Paranaguá teve maior alta no mês - Entre as rotas de Mato Grosso do Sul, a maior valorização em agosto ocorreu no trajeto entre Maracaju e Paranaguá (PR). O frete passou de R$ 266 para R$ 285 por tonelada, aumento de 7,1% em relação a julho.

Também houve alta na ligação entre Ponta Porã e Rio Grande (RS), de R$ 310 para R$ 320 por tonelada, variação de 3,2%. Na rota entre Maracaju e Maringá (PR), o preço passou de R$ 138 para R$ 142 por tonelada, alta de 2,9%.

Já o trajeto entre Sidrolândia e Santos (SP) teve aumento de 2,8%, com o valor subindo de R$ 282 para R$ 290 por tonelada.

Apesar dessas altas, os aumentos ficaram restritos a quatro dos 17 corredores monitorados.

Chapadão do Sul teve queda de até 9,4%

Entre as maiores reduções mensais está a rota de Chapadão do Sul para Guarujá (SP). O valor caiu de R$ 320 para R$ 290 por tonelada, recuo de 9,4%.

No mesmo município, o transporte para Paranaguá passou de R$ 315 para R$ 300 por tonelada, queda de 4,8%.

Em Ponta Porã, o frete para Maringá teve a maior redução mensal entre as rotas do município, passando de R$ 149 para R$ 138 por tonelada, recuo de 7,4%. Para Paranaguá, a queda foi de 2,9%, de R$ 280 para R$ 272.

Em Dourados, o frete para Rio Grande caiu 4,8%, de R$ 289 para R$ 275 por tonelada. Para Maringá, a redução foi de 0,8%, de R$ 120 para R$ 119, enquanto a rota para Paranaguá permaneceu em R$ 248 por tonelada.

Comparação com 2025 mostra cenário dividido - Embora agosto tenha sido marcado pela acomodação das tarifas, a comparação com o mesmo mês do ano passado mostra um cenário mais dividido.

A maior alta anual foi registrada no trajeto entre Sidrolândia e Maringá, cujo frete passou de R$ 126 por tonelada em agosto de 2025 para R$ 147 neste ano, avanço de 16,7%.

Na sequência aparece a rota Maracaju–Paranaguá, com aumento de 14,9%, de R$ 248 para R$ 285 por tonelada. Sidrolândia–Paranaguá também ficou 10,8% mais cara no período, passando de R$ 249 para R$ 276.

Dourados–Maringá teve alta anual de 8,2%, enquanto Ponta Porã–Maringá aumentou 6,2%. Também houve avanço de 4,2% em Dourados–Paranaguá e de 3,2% nas rotas Ponta Porã–Rio Grande e Ponta Porã–Santos.

Por outro lado, o maior recuo anual foi registrado no trecho Sidrolândia–Santos, de R$ 320 para R$ 290 por tonelada, redução de 9,4%.

São Gabriel do Oeste–Santos teve queda de 7,6%, Chapadão do Sul–Guarujá recuou 6,5% e São Gabriel do Oeste–Maringá caiu 5,9%. Em Chapadão do Sul–Paranaguá, o valor ficou exatamente no mesmo patamar de agosto de 2025: R$ 300 por tonelada.

Colheita do milho aumenta movimentação - A dinâmica dos fretes em Mato Grosso do Sul está relacionada ao avanço da colheita do milho segunda safra. De acordo com a análise da Conab, a área colhida no Estado havia alcançado aproximadamente 87% até 28 de agosto, com os trabalhos praticamente concluídos na região Norte e ainda em andamento nas regiões Centro e Sul.

O avanço da colheita ampliou a necessidade de movimentação dos grãos entre propriedades rurais e unidades armazenadoras. Em algumas localidades, houve saturação de silos de cerealistas e cooperativas, com registros de filas para descarga, sinalizando limitações pontuais de recebimento e armazenagem.

Esse movimento, entretanto, não significou aumento generalizado dos fretes. A Conab aponta que a pressão logística ocorreu de maneira desigual, com a movimentação destinada à armazenagem convivendo com as entregas para os mercados consumidores.

Isso ocorre porque o volume colhido não é necessariamente igual ao volume comercializado ou transportado imediatamente para consumo. Parte dos grãos pode permanecer armazenada e ser retirada posteriormente, conforme contratos, demanda dos compradores e necessidade de reposição dos estoques.

Além das exportações, o mercado interno também exerce papel importante na demanda pelo transporte de milho produzido em Mato Grosso do Sul. O cereal é utilizado na nutrição animal e no processamento industrial, incluindo a produção de etanol, fazendo com que diferentes corredores sejam acionados conforme a necessidade dos consumidores.

Exportações de MS somaram 648,2 mil toneladas - No comércio exterior, Mato Grosso do Sul exportou 548,1 mil toneladas de soja e 100,1 mil toneladas de milho em agosto, totalizando 648,2 mil toneladas das duas commodities.

A soja respondeu pela maior parte desse volume, mas os embarques da oleaginosa recuaram em relação a julho. De acordo com a análise da Conab, essa redução, associada à sazonalidade da comercialização, pode ter contribuído para a acomodação dos fretes no Estado.