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Deu no Correio: Fazendeiros criam fundo para financiar “guerra” contra índios

08 de novembro de 2013

A criação de milícia é parte do plano de fazendeiros de Mato Grosso do Sul que planejam uma espécie do que eles chamam de contra-ataque aos índios que ocuparam suas terras. Hoje, em MS, segundo cálculos dos produtores rurais, ao menos 70 áreas rurais estão sob o domínio de índios.

 
Ontem à noite, no auditório da Associação dos Criadores de MS (Acrissul), em torno de 50 produtores rurais discutiam a promoção de leilões de gado como meio de arrecadar dinheiro e, com isso, custear a contratação de empresas de segurança para proteger as áreas rurais e também para bancar recursos judiciais.
 
O presidente da Acrissul, Chico Maia, idealizador da proposta do leilão não quis admitir o termo milícia (organizações militares ou paramilitares compostas por cidadãos comuns, armados ou com
poder de polícia que teoricamente não integram as forças armadas) contudo, ao expor o objetivo seu argumento deixou a entender que os fazendeiros, “já desacreditados no Estado e no Poder Judiciário”, precisam logo de uma mobilização.
“A Constituição garante é direito de o cidadão defender seu patrimônio, sua vida. Guarda, segurança, custa dinheiro. Para entrarmos numa batalha precisamos de recurso. Imagine se precisamos da força de 300 homens, precisamos de recurso para mobilização”, disse Chico Maia.
 
A insatisfação dos fazendeiros cujas áreas foram ocupadas por comunidades indígenas está relacionada com a promessa do governo federal que, em junho passado, quatro meses atrás, prometeu agir nos conflitos agrários. Pelo anunciado até agora, a União deve pagar pela propriedade que pode ser transformada em aldeias indígenas. Ocorre que os produtores disseram que se até o dia 30 deste mês, daqui a 22 dias, o governo federal não cumprir o prometido, a classe vai se mobilizar.
 
“Vamos recorrer até a Organização das Nações Unidas (ONU) para exigir defesa aos nossos direitos. O índio invade, o fazendeiro sai, recorremos, a Justiça determina a reintegração de posse, mas nada disso acontece. Isso ocorre dada a impotência do governo. Estamos vivendo o período da lei medieval, quando tudo era olho no olho”, disse o advogado Newley Amarilla, defensor de 12 causas de proprietários com terra ocupada por índio, principalmente na região de Sidrolândia. “Daqui em diante cada um vai ter que cuidar do que é seu”, disse o advogado.
 
O vice-presidente da Acrissul, Jonathan Barbosa, repetiu suas declarações dadas no Senado, semana passada: “vivemos um momento delicado e pode haver confronto, derramamento de sangue”.
Barbosa disse ter conversado com produtores fora de suas áreas e disse ter “sentido de perto” o risco de conflitos. “Os fazendeiros tirados de suas terras disseram que vão voltar às áreas de um modo ou de outro”, disse. “Não queremos confrontos, isso não interessa a ninguém, mas depois do dia 30 a gente não sabe o que vai acontecer.
 
“Até agora todos os prazos concedidos para pôr um fim aos litígios acabaram não sendo cumpridos e a solução para o problema só se arrasta. Este [dia 30] é o prazo final”, disse Chico Maia.
 
A última investida dos índios ocorreu em Japorã, na fronteira de MS com o Paraguai. Lá, a comunidade ocupa 14 propriedades, segundo os ruralistas. Os índios aguardam a homologação
da área, tida por estudo da Funai como território indígena.
 

Fonte: Celso Bejarano/Correio do Estado
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