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Armadilha biológica para capturar o percevejo marrom

28 de novembro de 2011

O percevejo marrom além de representar um transtorno para os sojicultores, faz com que eles despejem 6 milhões de litros de inseticidas, por safra, para tentar combatê-lo. O excesso do produto causa duplo problema: agride o meio ambiente e extermina os insetos benéficos para a plantação.

Milho, trigo e algodão também não passam incólumes deste voraz ataque. Mas para diminuir tamanho prejuízo, pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, sintetizaram o feromônio deles – substância secretada por um animal que permite a sua comunicação com outros indivíduos da mesma espécie – para controlar a população. A técnica já é empregada nas culturas de maçã, café, citros e cana-de-açúcar.

Quando o produto é colocado dentro de uma armadilha no campo, ele tem que liberar o composto idêntico solto pelo inseto para atrair o parceiro para o acasalamento. A técnica só funciona se a “enganação” for perfeita.

Ao cair na emboscada, o percevejo fica preso e com base no número de insetos encontrado, o produtor tem condições de decidir se existe ou não necessidade de aplicar o inseticida. Se for preciso, a prática será feita de forma controlada poupando dinheiro, ambiente e saúde do agricultor.

Segundo os pesquisadores, o dano que o percevejo causa na soja é irreversível. Ao contrário das lagartas que comem apenas as folhas, ele consegue perfurar a planta e sugar a seiva das vagens. O surto da praga costuma acontecer, ainda, na fase mais crítica quando há o enchimento do grão.

A cultura é uma das mais importantes commodities do país e se espalha por 16 estados, com área plantada superior a 24 milhões de hectares e colheita de 67 milhões de toneladas.

O feromônio sintético foi testado em lavouras de Goiás, no entorno do Distrito Federal, Mato Grosso e Uberlândia (MG). Os pesquisadores registraram a queda de 50% na aplicação de inseticidas em um experimento em Uberlândia, ao espalharem armadilhas a cada hectare da plantação. Agora, eles começaram a fazer testes mais amplos com produtores do Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Minas Gerais e Distrito Federal, iniciado em outubro – início da safra da soja – com término em março do próximo ano, quando são encerradas as colheitas.

A Embrapa se associou a uma empresa do setor para desenvolver uma armadilha com viabilidade comercial para facilitar a introdução da tecnologia no campo.


Fonte: Globo Rural
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