Em entrevista à Folha do Fazendeiro, Francisco Maia, presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) desenha o tamanho do desafio que foi assumir a entidade, as conquistas recentes, e sobre o desafio maior – a realização da 1ª Expo MS – O Encontro do Agronegócio, uma feira que já nasce batendo três recordes: de número de leilões, de número de palestras técnicas e de número de shows regionais num único evento. Para o presidente, a liquidez total contabilizada nos leilões é uma resposta que o mercado está estável, comprador, e que o pecuarista está pronto para voltar a investir em melhoramento. Leia a seguir a entrevista na Ãntegra:
FOLHA DO FAZENDEIRO – Chico Maia, o estatuto da Acrissul obriga a entidade a realizar duas feiras por ano. Assim, além da Expogrande, era realizada a Feira de reprodutores, que se resumia apenas a leilões. Como surgiu a inspiração de se promover uma feira do porte com as caracterÃsticas da Expo MS?
FRANCISCO MAIA – Tem uma música que diz que o quê movimenta é desejo, vontade e necessidade. TÃnhamos a necessidade de movimentar nossas finanças, o desejo de alavancar o agronegócio e a vontade de empreender, realizar um evento que deixasse a atividade no patamar da importância que tem. Então estes três fatores contribuÃram para que nós, durante a semana de aniversario do nosso Estado, mostrássemos a força e a pujança do agronegócio de MS.
P – Você falou em finanças, como está essa questão aqui na Acrissul?
R – Recebemos a entidade em uma situação financeira complicada. Mas, já conseguimos negociar e pagar algo em torno de R$ 1,8 milhão nestes cem dias, a entidade tem todas as certidões negativas de débito, coisa que não acontecia há mais de 15 anos. As questões de dÃvidas estão todas equacionadas. Em fim, acredito que avançamos muito e podemos dizer que vamos sair dessa feira com a situação financeira da Acrissul bem favorável.
P – Em comparação com as outras feiras, qual a diferença da Expo MS?
R – A Expo MS envolve todas as cadeias do agronegócio, não tem pecuária como a estrela maior. É uma feira mais diversificada, onde nós teremos as 14 cadeias produtivas. E sobretudo, estamos dando uma ênfase muito grande à s palestras. Nós entendemos que ganho de produtividade só acontece com informação e conhecimento. A Expogrande é uma feira mais voltada para a pecuária, e nos iremos internacionalizá-la. E nosso desejo é de que, durante esse evento, possamos ter a pecuária do Paraguai, da BolÃvia, da Argentina. Para mostramos para ao Mercosul (Mercado Comum do Sul), que somos o Estado mais importante na produção de alimentos, que somos importantes estrategicamente, que Campo Grande está bem posicionada em relação aos outros paÃses do Mercosul. E vamos fazer a maior Expogrande de todos os tempos.
P – Com relação a está internacionalização, não é simplesmente convidar os paÃses para estarem aqui, tem a questão sanitária. Isso já foi acertado com governo federal?
R – Já conversamos com o ministro [Reinold Stephanes da Agricultura Pecuária e Abastecimento] há algum tempo, mas, naturalmente, estas conversas vão ter de ser intensificadas agora. Iremos ver qual são as precauções e cuidados que tem se de ter. Para nós é extremamente importante uma feira internacional aqui.
P – Voltando a falar da Expo MS, quais são as reformas e melhorias que o Parque de Exposições está recebendo?
R – Nós recapeamos todo o parque. Estamos reformando o prédio da Iagro (Agência Estadual e Defesa Sanitária Animal e Vegetal) e, de hoje a 30 dias teremos o Iagro de volta. ConstruÃmos um reservatório de 300 mil litros, estamos reformando os banheiros, dezenas deles, e os pavilhões. São mais de R$ 1 milhão em obras de infra-estrutura para a realização deste evento.
P – Sobre as palestras, como você vê a inserção desta feira dentro da comunidade cientifica regional?
R – Entendo que é extremamente importante essa interação do produtor com a Ciência. Se nós alcançamos um nÃvel de excelência na produção de carne é porque isso veio aliado ao trabalho da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), cientistas e universidades, com toda esta gama de conhecimento. O nosso produtor rural é um homem exigente, com um bom grau de formação universitária, e isso faz com que a feira tenha de ter caráter mais forte no conhecimento. Para isso nos montamos três tendas, onde em cada uma delas haverá as palestras.
P – A participação de vários municÃpios do interior, além da própria Assomassul (Associação dos MunicÃpios de Mato Grosso do Sul) e outras entidades que nunca haviam participado de exposições agropecuárias aqui no parque, faz da Expo MS, em sua primeira edição, uma feira regional?
R – A Assomassul está mobilizando os municÃpios. E a prefeitura de Três Lagoas, que é uma cidade que pulsa muito forte na economia do Estado, estará aqui. O municÃpio é hoje o maior pólo de silvicultura do paÃs, com uma indústria de papel muito importante. Então, a presença de Três Lagoas, expondo suas riquezas, vai mostrar ao campo-grandense a força do nosso Estado. Campo Grande já é uma cidade maravilhosa, mas, à s vezes o cidadão que mora aqui, não tem noção do que está acontecendo no restante do Estado. Então eu acredito que a participação de todos os municÃpios vai ser muito positiva. Lamentavelmente a Secretaria de Agronegócio de Campo Grande não vai estar presente.
P – Em sua primeira edição a Expo MS já bate recorde de leilões em um único evento, coincidentemente na estação de monta, isso é uma resposta do mercado de que estamos vivendo um perÃodo de recuperação da pecuária?
R – A pecuária aqui é muito forte, maior que qualquer crise. E essa feira que já começa com 33 leilões e que, segundo os leiloeiros, tem a possibilidade de comercializar 15 mil cabeças de gado de corte, mostra o grande diferencial com relação as outras feiras do Brasil. Porque as outras mostram mais o gado de elite, aqui, é a força do gado de corte, da produção do homem do campo. Nós teremos credito à vontade, o Banco do Brasil vai vir com linhas para impulsionar os negócios. E a questão do inÃcio da estação de monta favorece a comercialização de touros. O preço do bezerro está bom, os frigorÃficos nós vemos que já estão empregando e a arroba teve uma pequena reação. Uma coisa é certa, com crise ou sem, as exposições da Acrissul sempre surpreendem.
P – Os leilões já começaram, portanto, qual é a analise que você faz da feira com base nestas primeiras negociações?
R – Cem por cento de venda, o gado de corte está com um preço bom, os touros estão em um preço acima de média, porque o produtor deixou de comprar cabeceira de boiada, está comprando melhoradores, que transmitam as qualidades genéticas. E, aqui nós temos fartura deste produto. A média de negociação está em R$ 5 mil, ou seja bom para o momento.
P – E sobre as atrações culturais? Por que a Acrissul focou nas atrações regionais?
R – Teremos shows com artistas regionais, valorizando os talentos da terra. Somos um celeiro de jovens talentosos, tanto é que agora nós temos dois sul-mato-grossenses disputando o Gremmy Latino, em Las Vegas. Isso demonstra que o resultado dessa cruza de raças aqui na fronteira tem uma vocação musical muito forte. Mato Grosso do Sul está virando a Bahia da música sertaneja. Nossa expectativa é atrair 200 mil visitantes durante os 11 dias de feira. E o preço, durante o dia é livre, à noite será cobrado apenas R$ 5,00 e R$ 2,50 para estudante com carteirinha válida.
MPT pode propor acordo judicial a curtume onde quatro morreram
03 de fevereiro de 2012
O MPT (Ministério Público do Trabalho) poderá propor acordo judicial ao Marfrig caso sejam constatadas irregularidades quanto à segurança dos tra...
Ministério divulga fazendas aptas a exportar para a União Européia
03 de fevereiro de 2012
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) voltou a publicar a lista de fazendas autorizadas a fornecer bovinos para abate e venda...
Fazenda é interditada por agência sanitária em MS e gado ilegal abatido
03 de fevereiro de 2012
Foram abatidos no inÃcio da tarde deste sábado (28), 208 cabeças de gado que foram apreendidas por falta de documentação, no inÃcio da semana pe...
Número de produtores caem e produção de leite aumenta 43% em MS
03 de fevereiro de 2012
Cerca de 6.038 pessoas deixaram a produção de leite em 10 anos no Mato Grosso do Sul, os dados são do último levantamento agropecuário do Institu...
Clima de tensão diminui entre brasiguaios e sem-terra paraguaios
03 de fevereiro de 2012
A tensão no Alto Paraná, fronteira do Paraguai com o Brasil, foi reduzida nesta quinta-feira (2/1) diante da possibilidade de uma solução negociad...
Atacado de carne bovina registrou queda em janeiro
03 de fevereiro de 2012
O mercado atacadista de carne bovina sem osso fechou o mês de janeiro sem nenhuma alta de preços, aponta levantamento da Scot Consultoria. A perspec...