Diretamente prejudicados pelos estragos provocados pelas queimadas, que exigem anualmente investimentos na recuperação dos solos e das áreas de pastagem, as Federações da Agricultura e os produtores rurais das áreas mais atingidas já se preparam para enfrentar possível nova onda de estiagem no ano que vem.
As estratégias vão desde intensificar as ações de conscientização para os riscos das queimadas não autorizadas até a orientação dos trabalhadores das fazendas para que atuem como brigadistas nas ações de combate aos focos de incêndio. As particularidades regionais das atividades das propriedades rurais exigem atitudes específicas de cada uma das Federações de Agricultura, diferenças que são consideradas durante o processo de elaboração de programas de combate e controle das queimadas.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), comprovam que as iniciativas dos produtores rurais deram certo. Entre 2005 e 2009, o número de queimadas caiu 76%. Foram 77.117 focos de queimadas em 2005. Em 2009, esse número caiu para 18.200. Em 2010, a forte estiagem elevou o número de foco de queimadas. Até agora, o INPE detectou cerca de 46 mil focos em todo o País, aumento de aproximadamente 150% em relação aos focos detectados em 2009.
“Na maioria das vezes, o fogo começa nas margens das rodovias. Noutras, os cabos de energia se rompem e o fogo é inevitável”, explicou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Mato Grosso do Sul (FAMASUL), Eduardo Riedel.
O produtor rural perde dinheiro com as queimadas. Ele é o principal interessado em evitar o fogo. “Ninguém ganha com as queimadas. As terras perdem fertilidade e o gado não pode pastar no pasto queimado pelo fogo.”, explicou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), José Mário Schreiner. Influenciado pelo fenômeno La Niña, o ano de 2010 foi marcado pela estiagem e pelo tempo seco, condições que trouxeram problemas às regiões urbanas e rurais.
“No Mato Grosso do Sul, a umidade relativa do ar chegou a um nível extremo de 11%”, contou o presidente da FAMASUL. O meteorologista Fabrício Daniel dos Santos Silva, do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), explicou que,“no Brasil, o La Niña mostrou sua cara entre junho e julho. O nível de chuvas ficou abaixo da média. Na região central do País, o quadro de estiagem foi agravado”, explicou o meteorologista. Diante da possibilidade do fenômeno se repetir em 2011, os produtores vão manter uma postura preventiva. Em Goiás, a meta da FAEG é fechar um acordo com o Corpo de Bombeiros para garantir agilidade no combate aos focos de incêndio. Os termos do acordo ainda estão em discussão, mas ele pode envolver a comprar de equipamentos que facilitem o trabalho das equipes do Corpo de Bombeiros. Treinamento – No Paraná, o SENAR capacitou, de 2001 a 2010, 1.584 produtores rurais do Paraná, em turmas de formação sobre as técnicas corretas para a queima da cana-de-açúcar, prática que depende de autorização dos Estados. O controle de queimadas também faz parte dos cursos desenvolvidos pelo SENAR de Goiás.
“Os produtores são orientados a seguir uma série de recomendações antes de iniciar a queimada controlada”, contou a engenheira agrônoma Giany Aparecida de Freitas, que trabalha como instrutora nesses cursos. A busca por orientação para formação de brigadas de incêndio nas propriedades rurais vem crescendo nos últimos anos. “Incentivamos, por meio dos sindicatos rurais, a formação de brigadas de combate de incêndios, inclusive com a participação de voluntários, nos municípios”, afirmou o técnico da FAMASUL, Josiel Quintino dos Santos.
A importância de ter uma equipe preparada para impedir o avanço do fogo na propriedade pode ser a única saída em períodos de tempo seco, quando o fogo se espalha rapidamente. “Na chamada Planície Pantaneira, o acesso é difícil; muitos locais são inacessíveis”, afirmou Josiel Quintino. “É importante ter gente preparada para combater os incêndios nas fazendas”, completou. Em Minas Gerais, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado disponibiliza uma cartilha com informações sobre a maneira correta de realizar a queima aos produtores interessados. Basta acessar o site da FAEG (WWW.faeg.org.br), acessar a pasta de meio ambiente e selecionar o item “uso do fogo”.
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