O Ministério da Agricultura encaminhou à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) um pedido de revisão do status sanitário para a febre aftosa da chamada Zona de Alta Vigilância (ZAV) de Mato Grosso do Sul.
Criada em 2008 para garantir a erradicação da aftosa na região, a ZAV abrange 5 mil propriedades em uma faixa de 15 quilômetros de largura ao longo de 1.000 quilômetros na fronteira do Estado com Bolívia e Paraguai.
A pedido do Ministério da Agricultura, o comitê técnico da OIE deve aprovar, em setembro, a alteração da condição sanitária da ZAV. Hoje, a região dos 12 municípios incluídos tem classificação equivalente a "risco médio" para a doença, devendo passar a ser reconhecida como área livre de aftosa com vacinação.
"Depois de quase três anos de trabalho sério, que virou referência internacional, houve muitos progressos e temos plenas condições de reivindicar um status sanitário semelhante ao restante do Estado", afirma o diretor de Saúde Animal do ministério, Jamil Gomes de Souza.
Em visita ao Brasil, o diretor-geral da OIE, Bernard Vallat, classificou como "excelente" o trabalho realizado na região. "O Brasil demonstrou grande capacidade de organização e controle", afirmou o médico veterinário francês.
A criação da ZAV, causada pela descoberta de casos de febre aftosa no fim de 2005, causou forte impacto em uma região que soma 750 km de "fronteira seca" com o Paraguai. A área tem 24 postos de fiscalização, equipes móveis, quase 50 veterinários em atividade, além da obrigação de georreferenciamento das fazendas, uso de brincos individuais no rebanho bovino, vacinação oficial, controle da movimentação do gado, cadastro de movimentação e ingresso de animais autorizados.
Mesmo assim, a carne de gado da ZAV só pode ser vendida após maturação e desossa. Até setembro de 2009, não era possível comercializar gado para fora do Estado. Ainda não é permitido exportar a carne da região. "Alcançamos o sucesso desejado, fizemos tudo que podíamos e um pouco mais", afirma a secretária estadual de Agricultura, Tereza Correa da Costa.
A secretária refere-se a "milhares" de testes sorológicos realizados e R$ 100 milhões investidos em ações de vigilância e controle na região. "Éramos o maior exportador brasileiro até 2005. Ficamos fechados até o ano passado e ainda não podemos exportar", diz a executiva.
Pelas regras, até setembro, Mato Grosso do Sul ainda conviverá com a obrigação de caminhões lacrados, rotas fixas, corredores sanitários, guias de trânsito (GTAs) com relação individual de animais e quarentena para abate do rebanho. "Mas falta pouco", comemora a secretária.
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