NotÃcias
28 de julho de 2010
Desde o inÃcio do ano a rotina de trabalho do produtor de leite Gabriel Rodrigues mudou um pouco. Agora, na hora de ordenhar as vacas pela manhã, em sua propriedade no municÃpio de Lima Duarte (MG), Rodrigues e sua esposa têm a preocupação de higienizar as mãos e os tetos das suas 16 vacas, com uma solução à base de iodo e cloro.
Além disso, as latas e latões onde são depositados os cerca de 150 litros produzidos diariamente na fazenda também recebem atenção especial na hora da lavagem e higienização. Com esse cuidado, o produtor conseguiu reduzir a quantidade de bactérias existentes no leite e está recebendo um bônus de até R$ 0,05 a mais por litro do laticÃnio que compra sua produção.
Rodrigues faz parte de um grupo de cerca de 150 produtores das regiões da Zona da Mata e Campos das Vertentes, em Minas Gerais, ligados ao Programa de Qualidade para Certificação, desenvolvido pelo Polo de Excelência do Leite, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais.
Os produtores recebem orientações em relação a práticas de higiene no que diz respeito à limpeza das latas e latões onde o leite é transportado e também aprendem a usar um kit de ordenha, que consiste em um cinturão onde o produtor carrega uma solução para fazer a limpeza das mãos e dos tetos da vaca, e papel-toalha.
"Uma solução simples, mas que permitiu a redução da contagem bacteriana total (CBT) de 30 milhões por mililitro para cerca de 400 mil", explica o gerente de qualidade da Qconz, empresa responsável pelo treinamento dos produtores e controle da qualidade do leite, Lomanto Moraes. Segundo ele, essas reduções foram percebidas mesmo nos tanques comunitários, onde o leite de vários produtores é armazenado antes de ser vendido para os laticÃnios. "O nÃvel mÃnimo estabelecido pela Instrução Normativa 51, no Mapa, é de 700 mil bactérias por mililitro. Mas isso até dezembro. A partir de janeiro esse limite cai para 100 mil."
LaticÃnios. O programa, criado em março deste ano, visa a melhorar a qualidade do leite produzido e envolve não só os produtores de leite, mas principalmente os laticÃnios, que agora estão passando por um processo de certificação. "O objetivo é conseguir evidenciar, por meio de uma certificação, a qualidade do leite, o que servirá de base para a estruturação de uma plataforma de exportação", diz o gerente executivo do Polo, Airdem Assis.
O selo, denominado Cert Leite, possui três categorias, segundo explica o gerente comercial da TÜV Rheinland, certificadora responsável pela elaboração do selo, Daniel Gularte.
Para ser enquadrado dentro da primeira categoria, denominada bronze, o laticÃnio precisa adotar protocolos de Boas Práticas de Fabricação (BPF) e de Procedimento Padrão de Higiene Operacional (PPHO). "A maioria dos laticÃnios já têm essas boas práticas sanitárias, porém ainda não têm o hábito de registrá-las, o que é uma exigência", explica Gularte.
Sem riscos. Já para a segunda categoria (prata), além têm de cumprir os protocolos de BPF e PPHO (que são regras sanitárias) o laticÃnio precisa implementar a Análise de Perigos e Pontos CrÃticos de Controle (APPCC), "ou seja, precisa identificar e neutralizar possÃveis riscos de contaminação", explica. Já para conseguir a classificação ouro, o laticÃnio precisa adotar essas regras e ainda cumprir algumas normas relacionadas à gestão do negócio.
O primeiro laticÃnio, o MB LaticÃnios, foi certificado este mês, segundo Gularte. Com boas práticas sanitárias e controle de riscos, o MB recebeu o selo prata. A diretoria da empresa conta que após as adequações e também o trabalho junto aos produtores que fornecem o leite (os 150 que participam do programa são fornecedores do laticÃnio) o produto final atinge padrões europeus. Agora, a empresa pretende expandir o trabalho de orientação para mais 550 produtores.
A próxima etapa do programa, segundo Assis, envolve a certificação de mais 100 laticÃnios, o que representa a ampliação exponencial da quantidade de produtores que passarão a receber orientações sobre boas práticas. "Dessa forma, certificando os laticÃnios, que por sua vez precisam trabalhar pela qualidade do leite na origem, fechamos toda a cadeia", diz.
SOBE & DESCE - Com Ãndices de bactérias mais baixos no leite, laticÃnios se credenciam para explorar o mercado
exterior e produtores passam a receber mais pelo litro produzido.
Informalidade
Métodos de produção na região ainda são rudimentares e a venda de leite pelo próprio produtor, sem controle sanitário oficial, municipal, estadual ou federal passa a ser reduzida.
Fonte: Estadão, por Leandro Costa.
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