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Ganhadora do Nobel sugere combater pragas com substância que confunde insetos na reprodução

21 de janeiro de 2020

Antigo aliado no controle de pragas em pequenas lavouras, os feromônios estão próximos de ganhar escala na agricultura mundial, com aplicação também em grandes monoculturas. Esse é o projeto de Frances Arnold, vencedora do Prêmio Nobel de Química em 2018 por sua pesquisa com uso de evolução direcionada para criação de enzimas.

“Esse é um avanço incrível em algo que nós já conhecemos e usamos há 30 anos com sucesso, sobretudo em proteção de culturas de alto valor, como frutas e nozes”, explicou a pesquisadora durante debate sobre inovação sustentável no agronegócio, nesta segunda-feira
(20/1), em São Paulo.
 
A aplicação do feromônio tende a confundir os insetos invasores machos, impedindo sua reprodução e reduzindo sua população sem a necessidade de pesticidas. Frances explica que sua descoberta tem sido fundamental para disseminar o uso da substância em larga escala graças à possibilidade de sintetizá-los em maior quantidade, unindo processos químicos e biológicos. A tecnologia foi patenteada em nome da Provivi, startup fundada em 2013 por Frances com o brasileiro Pedro Coelho e o alemão Peter Meinhold.
 
“A razão de os feromônios não estarem sendo usados hoje em soja e milho é que o custo de produção dessas substâncias se tornou muito alto. E a gente desenvolveu processos melhorados combinando biologia e química, o que reduz esses valores”, explica a Nobel de Química.
 
Bons resultados no México
 
Segundo Frances, o objetivo da empresa é chegar a uma produção de 10 toneladas com o novo processo. “O tempo todo a gente ganha mais escala e, agora, estamos chegando a nossa primeira tonelada produzida - e com isso os custos já começaram a cair”, revela a pesquisadora.
 
O barateamento da produção deve permitir a startup iniciar suas operações comerciais no México neste ano e no Quênia em 2021, visando o combate à lagarta do cartucho, praga comum em plantações de milho e que já atinge lavouras de algodão e soja. No México, a adoção dos feromônios levou a uma redução de 35% a 50% no uso de produtos químicos em testes realizados com 65 agricultores locais.
 
Chegada ao Brasil em 2022
 
Pedro Coelho, co-fundador da empresa, explica que a decisão de iniciar as vendas por esses países se deu por questões estratégicas, sobretudo pelas condições climáticas propícias ao desenvolvimento de pragas e doenças resistentes aos inseticidas disponíveis no mercado.
 
“Quando se olha para essas culturas extensivas, o maior crescimento está nos países tropicais, porque é nessas regiões que as pragas causam mais problemas. E como tem mais geração de praga por ano, acaba havendo mais problema de resistência também, criando um hiato
de produto que estamos buscando consertar”, explica Coelho.
 
No Brasil, a empresa espera lançar sua tecnologia em 2022. “Precisamos de um desenvolvimento rápido e versátil de tecnologias para lidar com o aumento da resistência de pragas e doenças aos agroquímicos tradicionais e acho que os feromônios são um exemplo de como podemos trabalhar com a agricultura tropical sem agredir o meio ambiente. Não podemos mais esperar que as antigas tecnologias consigam fazer isso”, conclui Frances.

Fonte: Revista Globo Rural
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Foto: Divulgação
Lagarta do cartucho está entre as principais pragas resistentes a inseticidas tradicionais e se foco das pesquisas de Frances Arnold em países tropica