Operação mira suspeita de propina de frigorífico a auditores fiscais

11 de dezembro de 2019

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (10/12), a segunda fase da Operação Porteira Aberta, que visa combater um supostos esquema de propinas para servidores da fiscalização sanitária. A ação cumpre 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal de Barra do Garças (MT), que determinam o sequestro de bens e valores pertencentes a quatro fiscais do Ministério da Agricultura (Mapa), no total de R$ 5,08.

Os mandados também previam o afastamento do exercício desses agentes públicos. Também são alvos da operação médicos veterinários conveniados ao Sistema de Inspeção Federal (SIF). De acordo com o Ministério Público, esses servidores teriam recebido R$ 6,09 milhões em propinas por parte da JBS.
 
As buscas e apreensões foram feitas em endereços da região do Vale do Araguaia, em Mato Grosso, e outros Estados (Goiás, Pernambuco, Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina). A ação contou com o trabalho conjunto entre o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (DPF) em Barra do Garças.
 
Segundo o Ministério Público, o pagamento era feito nas unidades de Anápolis (GO), Campo Grande (MS), Cassilândia (MS), Barra do Garças (MT), Confresa (MT), Cuiabá (MT), Diamantino (MT), Pedra Preta (MT), Vila Rica (MT), São José dos Quatro Marcos (MT), Água Boa (MT), Matupá (MT) e Ponta Porã (MS).
 
As propinas variavam de R$ 5 mil a R$ 25 mil mensais, que perduraram até o início de 2017. Os valores destinados eram registrados na contabilidade da JBS como despesas de consultoria e marketing ou serviço de inspeção federal. As remessas foram interrompidas com a deflagração da Operação Carne Fraca.
 
Os investigados atuavam na fiscalização das plantas industriais do frigorífico. E irão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva e organização criminosa, podendo pegar até 20 anos de prisão.
 
A segunda fase da Operação Porteira Aberta é resultado da análise dos dados bancários dos investigados e dos documentos contábeis apreendidos durante a primeira fase, deflagrada em 15 de junho do ano passado. Até aquela fase da investigação, era apontado pagamento de R$ 1.860.700,00 em propina só na unidade de Barra do Garças/MT.
 
Os documentos também mostraram a celebração de 11 acordos de colaboração premiadas entre o Ministério Público Federal e Polícia Federal com quem operacionalizava os pagamentos em nome da empresa.
 
Em nota, a JBS informa que nenhuma unidade foi alvo da operação. E reforça que a ação não tem qualquer relação com a qualidade dos produtos, cujos processos produtivos seguem padrões e normas internacionais.
Fonte: Revista Globo Rural