Notícias

Conheça a ultrablack, raça de boi com apenas 700 exemplares de um ano

14 de outubro de 2019

Um gado de pelagem preta e sem chifres promete ser uma nova alternativa de produção de carne para segmentos premium ou gourmet no Brasil. Ainda considerados novidade no mercado brasileiro, os bovinos ultrablack tiveram o primeiro registro autorizado pelo Ministério da Agricultura (Mapa) em 2017. Atualmente, existem cerca de 700 animais com mais de um ano de idade, de acordo com a Associação Brasileira de Angus (ABA).

A tendência é de crescimento da presença desses animais na pecuária de corte brasileira, afirma o vice-presidente de Fomento da ABA, Luís Felipe Cassol. "Para este ano, a expectativa é de nascer mais de 2 mil animais aptos a receberem registro." Alguns exemplares da raça foram exibidos na última semana, durante a 57ª ediçã da Expo Rio Preto, realizada em Sâo José do Rio Preto (SP).
 
Originário dos Estados Unidos, a ultrablack é uma raça sintética, cruzamento do europeu Angus com a raça Brangus, esta já resultante de cruamentos entre Angus e zebuínos, como Brahman, Nelore Mocho e Guzerá. Essa mistura origina um gado composto de pelo menos 80% de sangue Angus, o que é considerado o diferencial desse tipo de animal
 
"Nenhuma raça no Brasil tem essa composição de grau de sangue como o ultrablack. Por isso que foi reconhecida pelo Ministério da Agricultura", conta o médico veterinário e gerente de fomento da ABA, Mateus Pivato. 
 
Segundo a Associação Brasileira de Angus (ABA), responsável pelo registro da raça no Brasil, o ultrablack surgiu em 1993, na fazenda Cow Creek Ranch, no Novo México (EUA). Em 1996, os primeiros animais foram comercializados no mercado americano. Dois anos depois, a International Brangus Breeders Association (IBBA) comprou a marca. Os registros foram iniciados em 2005. No mesmo ano, as criações começaram na Austrália.
 
“O ultrablack surgiu pela necessidade de ter um angus com grau de sangue intermediário entre o puro e o Brangus, necessário para atender a uma demanda em zonas de clima em que o angus puro tinha algum grau de dificuldade de adaptação”, afirma Luís Felipe Cassol.
 
Essa mistura possibilitou que o ultrablack tenha a rusticidade dos zebuínos, assim se adaptando às altas temperaturas – como a do Centro-Oeste brasileiro –, além de possuir uma carne de qualidade advinda do sangue Angus. “Ele tem uma carcaça mais desenvolvida, assim mantém a qualidade de carne e a adaptação desse animal nos ambientes”, explica o veterinário Mateus Pivato.
 
Carne superior
 
Segundo a Associação Brasileira de Angus, a ideia de trazer o ultrablack para o mercado brasileiro foi proporcionar aos pecuaristas mais uma alternativa de produção de carne com qualidade superior. Atualmente, há animais registrados no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais.
 
O gerente de fomento da ABA, Mateus Pivato, avalia que a produção de carne de gado Angus não consegue suprir a demanda do mercado. O ultrablack chega para potencializar a oferta. “Ele pode ser utilizado em matrizes que são 25% de sangue Angus, gerando um animal em torno de 52% e 53% de sangue, que pode ir para o Programa Carne Angus Cetificada”, explica. 
 
Luís Felipe Cassol acrescenta que a raça tem grande potencial também de cruzamento com fêmeas meio-sangue Angus. “Neste caso, cruzar uma meio-sangue com ultrablack, produziremos animais com 65% de sangue Angus, isso seria um grande passo na maior qualificação da nossa carne certificada”, pontua. A Associação pretende também criar um selo de certificação da carne ultrablack dentro do programa.
 
Ainda de acordo com a ABA, o ultrablack pode ser utilizado como touro de repasse e se reproduzir por monta natural em regiões mais quentes do Brasil, como Norte e Centro-Oeste. Diferente do que é feito com o touro Angus, para o qual, nessas regiões, só é possível a reprodução via inseminação artificial.

Fonte: Revista Globo Rural
Voltar Imprimir
Deixar um comentário
Nome
Comentário
 

Notícias recentes

Perspectiva é de preços de soja firmes até o fim do ano, diz Scot Consultoria 04 de junho de 2020 Embora a soja tenha caído de preços nas últimas semanas, a perspectiva ao longo do ano no Brasil ainda é de preços firmes para a oleaginosa, diss...
Brasil bate recorde com exportações de carne bovina em maio 04 de junho de 2020 As exportações brasileiras de carne bovina vão de vento em popa. Nesse caso específico, apesar da pandemia do coronavírus. Segundo dados da Secre...
Efeito da covid-19 sobre o mercado de trabalho agropecuário se acentua em abril 04 de junho de 2020 Neste segundo relatório de acompanhamento mensal da mão de obra na agropecuária, utilizando informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic...
Agropecuária é único setor da economia com crescimento na pandemia, diz IBGE 04 de junho de 2020 A agropecuária apresentou crescimento de 0,6% no primeiro trimestre de 2020 em comparação ao quarto trimestre de 2019, conforme dados divulgados ne...
Boi/Cepea: média mensal da arroba é a terceira maior da série 04 de junho de 2020 As exportações brasileiras em volumes recordes e a baixa oferta doméstica de animais prontos para o abate continuam sustentando os preços da arrob...
MS está em alerta para chuvas intensas e ventos de até 60 km/h 04 de junho de 2020 O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu aviso de chuvas intensas para 25 municípios sul-mato-grossenses no decorrer desta quinta-feira (4...
Milho: preços mais frouxos com o início da colheita da segunda safra 04 de junho de 2020 Desde o final de maio, com o início da colheita no país, queda do dólar e nenhuma mudança do lado do consumo doméstico, os preços do cereal cede...


Foto: Divulgação
Ultrablack foi exposto durante a 57ª Expo Rio Preto, realizada entre os dias 2 a 6 de outubro