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ILPF puxa produtividade pecuária e achata produtor menos tecnificado

19 de setembro de 2019

Os elevados índices de produtividade da pecuária em sistema de integração com lavoura e floresta, a ILPF, tendem a elevar a competitividade do setor no médio prazo. A avaliação foi feita pelo diretor da Athenagro, Maurício Nogueira, durante a apresentação dos resultados do Rally da Pecuária 2019.

O analista avalia que, se os 14 milhões de hectares em integração atualmente no país começarem a produzir com alta produtividade como se espera (e como foi constatado no Rally), será possível atender toda a demanda nacional por carcaças com o sistema de ILPF. Ainda de acordo com Nogueira, boa parte da área em ILPF do país ainda não atingiu o máximo de produtividade, pois são oriundas de produtores que vieram da agricultura e não da pecuária.
 
“Para quem não faz integração, se não se preparar para competir nesse ambiente, que é extremamente exigente em produtividade, é melhor se posicionar na oferta de bezerros porque a terminação vai ser cada vez mais exigente em tecnologia”, destaca Nogueira. Das 310 fazendas visitadas pela expedição, cerca de 7,5% fazia uso da ILPF.
 
“Dentro do Rally, os projetos de ILPF que a gente encontra estão plenos. A parcela que está vindo da agricultura ainda não conseguiu povoar todas as áreas por uma questão financeira. Se tiver capital para essa turma que está fazendo ILPF, eles vão comprar todo gado disponível para engorda e dar giro muito rápido”, alerta o analista.
 
Maior produtividade, menores preços
 
Um dos principais efeitos do aumento da produtividade nacional, ressalta Nogueira, é o achatamento dos preços pago aos pecuaristas menos tecnificados. “Na prática, à medida que esse pessoal vai aumentando a produtividade, eles atrapalham a vida de quem não tem produtividade elevada, porque o preço vai se ajustando ao mercado destes mais avançados”, explica.
 
Enquanto a produtividade média nacional é de 4,24 arrobas por hectare ao ano, a média de produtividade encontrada entre o público do Rally da Pecuária foi de 12,8 arrobas por hectare, avanço de 2,5 pontos percentuais em relação ao ano passado e acima das expectativas dos analistas. “Em termos de avaliação, esse ano é o ano mais proveitoso do Rally da Pecuária”, avalia o CEO da Athenagro.
 
Cerca de 21% dos produtores ouvidos durante o Rally da Safra apresentaram uma produtividade acima de 18 arrobas por hectare. Esse mesmo grupo, aponta a pesquisa, concentrou 53% da comercialização de carcaças. Entre os com produtividade abaixo de 12 arrobas, que somam 63% dos entrevistados, a participação nas vendas foi de 32%. Diante desse cenário, a Athenagro estima que apenas 10% dos produtores, com 60% do rebanho nacional, esteja auferindo lucro em suas operações, concentrando 75% das vendas nacionais.
 
“O que isso nos diz? Que temos uma pecuária cada vez mais concentrada nas mãos de poucos e que esse pessoal que vende os 75% lucrando vão crescer ainda mais na pecuária, não vão parar de agregar tecnologia, e isso acelera a exclusão dos outros 90%”, alerta o analista.
 
Mais com menos
 
Além de mais produtivas, a média das fazendas visitadas pelo Rally da Safra este ano também apresentou uma menor taxa de lotação, de 1,54 cabeça por hectare em 2018 para 0,99 cabeça por hectare em 2019. “O mesmo rebanho está produzindo mais carne. Melhoramos principalmente o componente zootécnico, que envolve sanidade, nutrição e genética”, explica Nogueira.
 
Entre as fazendas com maior produtividade, a redução no uso da área é ainda maior. Enquanto a área média daquelas que produzem mais de 18 arrobas por hectare é de 620 hectares, as com produção abaixo de 12 arrobas por hectare possuem área média de 2,43 mil hectares. “Não é o tamanho que determina a produtividade na pecuária. Nós passamos o Rally inteiro falando isso ao produtor”, destaca o CEO da Athenagro.

Fonte: DBO Rural
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